Websites de  Julian de Norwich, A Revelação de Amor e Seus Contextos e Computador da Sabedoria  © Julia Bolton Holloway, 1997/2017, trans. Carmo Silva, Lisbon, 2001.

ANACORETA E CARDEAL

COMUNIDADES DE TEXTOS
E AUDIÊNCIAS MIXTAS
 

 

{Visitei, na verdade,  o mosteiro de San Marco em Florença para ver e contemplar os frescos de Fra Angelico em cada uma das celas. Não aprecio muito a pintura de épocas mais tardias mas fui inexplicavelmente conduzida a uma galeria. Perante mim estava uma grande tela, precisamente do género que menos gosto. Representava Santa Birgitta entregando a Regra às Irmãs e Irmãos da sua Ordem, com o Bispo Eremita Alfonso de Jaén, aos pés, com a mitra de Bispo colocada ao lado sobre os degraus; e, ao lado, um Cardeal vestido de escarlate. Mas não houve nenhum Cardeal entre os membros da sua casa . . . Esqueci o estilo do quadro mas não o seu conteúdo, que permaneceu nos recônditos da minha memória e inflecti para o Refeitório, onde na Última Ceia de Ghirlandaio se vêem cerejas espalhadas na toalha de mesa de tecido em damasco, - tais como as que ainda se podem encontrar, tecidas à mão, por mulheres do campo -, e pavões em abóbadas abertas a espreitar cá para baixo.

Birgitta dizendo Revelationes, 1492


I. Remédio, Nuvem, Castigo, Escada, Revelação

Um importante conjunto de textos acontece estar relacionado com A Revelação de Amor de Julian de Norwich, como se fosse uma 'Comunidade de Textos' relacionados uns com os outros.(1) Os textos são:  Remédios Contra as Tentações,(2)do Eremita Agostinho William Flete, A Nuvem do Desconhecimento e as subsequentes Epístolas(3) do seu autor desconhecido, o igualmente anónimo Castigo dos Filhos de Deus(4) e A Escada da Perfeição do Cónego Agostinho Walter Hilton.(5) Estes textos são escritos para contemplativos. Com o tempo, juntamente com A Revelação de Amor de Julian de Norwich, irão ser coligidos e copiados em abadias femininas de clausura, primeiro nas Brigitinas de Syon em Inglaterra e, posteriormente, no exílio; a seguir, nas casas das Beneditinas Inglesas em Cambrai e em Paris, sob a direcção espiritual dos Padres Augustine Baker e Serenus Cressy, O.S.B. e igualmente no exílio. É possível que estes textos tenham sempre feito parte de contextos de ambos os sexos.

Um primitivo manuscrito de Remédios Contra as Tentações, de William Flette - Holkham misc. 41, da Biblioteca Bodleiana -, intitulado Consolacio anime, utiliza a mesma frase que aparece no Manuscrito de Amherst que contem A Revelação de Amor de Julian de Norwich:"Syke and sorwe deeply" ('Buscai e esforçai-vos muito'), dirige o seu Pólogo a uma "religious Sister" ('Irmã Religiosa') e especialmente reza por todos os solitários, "Ancres, Reclusis and heremites and alle estatis reclusid" ('Anacoretas, Reclusos e todos os de estado recluso'), e o seu escrivão é igualmente uma mulher.(6)A Nuvem do Desconhecimento começa deste modo: "Goostly freende in God" ('Amigo/a espiritual em Deus'), e continua falando das quatro formas de vida - Comum, Especial, Singular (solitária, anacorética) e Perfeita -, sendo o seu destinatário um Singular (EETS 218.3). O Castigo dos Filhos de Deus parece tratar-se de conferências feitas oralmente numa casa monástica feminina e também dirigidas, na sua forma escrita, a uma anacoreta.(7)A Escada da Perfeição, de Walter Hilton, na sua Parte Um, é claramente dirigida a uma anacoreta, ''Ghostly sister in Jhesu Christ, I pray thee that in the calling which our Lord hath called thee to His service, thou hold thee paid and stand steadfastly therein.''(8)('Irmã espiritual em Jesus Cristo, peço-vos que na vocação a que nosso Senhor vos chamou ao Seu serviço, vos considereis paga e nele permaneçais com firmeza'). Henry Pepwell, em 1521 reuniu muitos destes textos e Edmund G. Gardiner, em 1910, com o título de A Cela do Conhecimento Próprio, voltou a publicar esta antologia de sete trechos de Catarina de Sena, Margery Kempe e o Autor de Nuvem, sublinhando que o Autor dos textos de Nuvem os dirige a uma anacoreta.(9)

Este ensaio tratará de todos estes trabalhos em relação uns com os outros e com A Revelação de Amor da anacoreta Julian de Norwich, como trabalhos possíveis de serem partilhados numa comunidade de textos e que, pelo facto de estarem escritos em Médio Inglês, em vez de em Latim, são provavelmente orientados, em termos de audiência, para mulheres que vivem uma vida de oração e, em alguns casos, os textos são, até, escritos por mulheres contemplativas.


II. A Revelação de Amor de Julian de Norwich

Existem três versões manuscritas de A Revelação de Amor de Julian de Norwich e um relato duma conversa tida com ela. O mais antigo manuscrito completo, o Texto Curto de Revelação de Amor, está incluído no Manuscrito Amherst(A) da Biblioteca Britânica, que tem ligações com a de Sheen, Cartusiana e a de Syon, Brigitina, e onde o escrivão, escrevendo à volta de 1450, afirma que o original daquele texto foi escrito em 1413, enquanto Julian ainda era viva. O segundo mais antigo manuscrito completo, que também tem ligações com a Abadia de Syon, está no Manuscrito da Catedral de Westminster(W), presentemente emprestado à Abadia de Westminster e, curiosamente, tem a data de 1368, no entanto, sem nada contar acerca da famosa visão no leito de morte, de 13 de Maio de 1373, embora fosse realmente escrito circa 1500. A terceira versão mais antiga é o Texto Longo de A Revelação de Amor, escrito em Antuérpia na década de 1580, levado depois para Rouen pelas suas proprietárias Brigitinas, sendo adquirido mais tarde pelo Rei de França e que é agora o Manuscrito de Paris, Biblioteca Nacional, Anglais 40(P). O seu texto completo sobrevive também em manuscritos escritos por Monjas Beneditinas no Exílio; no Manuscrito da Biblioteca Britânica Stowe 42, feito para a edição impressa em 1670, de Serenus Cressy. Ainda, em dois Manuscritos, um tanto aero-dinâmicos na edição: o Manuscrito Sloane(S1) que conserva o dialecto de Julian e o Manuscrito Sloane(S2) que preserva a formatação manuscrita de página de Julian, ambos da Biblioteca Britânica; e, sob forma fragmentária, nos Manuscritos Upholland(U) e Gascoigne (G). O Texto Longo, de acordo com a data que contém, foi originalmente escrito em 1393. As suas presentes versões - Paris, Stowe e Sloane-, podem conter interpolações, por exemplo a que fala de S. João de Beverly, foi introduzida por uma Brigitina em cujo meio o santo era particularmente venerado, embora também saibamos que o Cardeal Adam Easton tinha ligações tanto com a Basílica de Santa Cecília no Trastevere, como com a Colegiada Igreja de S. João de Beverly, sendo estes dois santos mencionados nos textos de Julian. Quase mais antigo que todos estes manuscritos, é o relato de Margery Kempe, da sua conversa com "Dame Jelyan" de Norwich em O Livro de Marjery Kempe, fornecendo-nos um Texto Oral (M). Esta conversa ocorreu pouco antes de 1413 e está completa num manuscrito que foi escrito circa 1450.(10)

Neste ensaio, as referências a A Revelação de Amor de Julian, serão dos manuscritos A, W, P e M, seguidas do número do fólio. Está iminente a sua edição neste formato. Ao passo que referências aos volumes da Early English Text Society, serão feitas por número de volume, número de página, número de linha, e.g. EETS 218.13:1.


III. Livro de Margery Kempe

Margery Kempe encontrou o modelo das suas peregrinações e do seu livro, nas Revelationes de Birgitta da Suécia.

No entanto, ninguém deu conta de que a sua primeira escrivã foi, mais provavelmente, a sua nora de Gdansk - onde Birgitta era venerada e as suas Revelationes estudadas-, que o seu filho de Lynn que, ao tempo, estava moribundo, ainda que nos seja dito claramente pelo seu segundo escrivão - homem e padre -, relativamente à primeira edição de Margery, que 'Þe booke was so euel wretyn þat he cowd lytyl skyll þeron, for it was neiþyr good Englysch ne Dewch, ne þe lettyr was not schapyn ne formyd as oþer letters ben' (EETS 212.4:15-17) ('o livro estava tão mal escrito que mal conseguiu trabalhar nele, porque não era nem bom Inglês nem Alemão, nem a letra tinha a forma, nem o feitio como têm as outras'). Estas palavras depreciativas apontariam para que o original fosse escrito, com maior probabilidade, por uma mulher Alemã do que por um homem Inglês.


IV. Remédios Contra as Tentações de William Flete

William Flete, que deixaria a Universidade de Cambridge em 1359 para se tornar um Eremita Agostinho perto de Siena - onde se tornou discípulo e executor de Santa Catarina de Sena -, sabendo que o Cardeal Adam Easton, O.S.B., do Priorado da Catedral de Norwich, já tinha escrito os Remédios Contra as Tentações em Latim. Este trabalho foi traduzido para Médio Inglês, de modo a tornar-se acessível a mulheres contemplativas. Talvez tenha sido traduzido por um outro Agostinho, Walter Hilton, que também escreveu a primeira parte da Escada da Perfeição para uma anacoreta, pois Harley 2409 da Biblioteca Britânica, afirma claramente: "Here bigynnes a deuoute matier to þe drawyng of M. Waltere Hyltoun".(11) ('Aqui começa uma devota matéria da mão de M. Waltere Hyltoun'). Ou, o seu tradutor pode ser o candidato indicado no final deste ensaio, um candidato que conhecera pessoalmente William Flete em Itália e que ele próprio era de Norwich. Porque Julian cita muitas vezes Remédios Contra as Tentações na sua Revelação de Amor.

O texto em Médio Inglês de Remédios Contra as Tentações tem o cuidado de incluir ambos os sexos na sua linguagem (referências a mulheres, aqui, estarão em negrito):

Oure merciful lord god chastyseth hese childirn & suffereth hem to ben tempted for many profytable skeles to have soule profi3te; and þerfore ther schulde non man ne woman ben hevy ne sory for no temptacion . . .(12)
O texto chega ao ponto de dizer:
Sister, alwey quan I speke of man in þis wrytinge, take it bothe for man & woman, for so it is ment in alle suche writinges, for al is mankende. And forthermore as touchynge 3oure troubles, þenke 3e in alle 3oure diseses quat troubles and diseses goddis servauntis haue suffred . . . .(13)
E acrescenta:
And þerfore, suster, be not douteful ne hevy . . . for therby 3e schal wynne the crowne of worchip . . .(14)
Flete narra-nos a história de S. Pedro:
It was no maystrye for Seynt Petir, quan he saw oure lord Iesu on the hyl in blisse, to seye: Lord, it is good vs to dwelle here; but aftirward quan he saw hym amongis his fowen tormentid, a woman's word mad hym afered and soo sore in dreed þat he seyde he know hym not.(15)
O texto acrescenta:
whanne somme men or women haue be custom good sterynges and deuoute þou3tes and felyngis of meditacions & of contemplacions, of suych parauenture as ben solatarye . . . .


O texto segue dizendo à sua leitora feminina:

Suster, þis is 3oure spouse, whom 3e desyre to loue and plese.(17)
Na Revelação de Amor de Julian, são repetidos muitos mais extractos deste texto, indicando não apenas a audiência pretendida, mas também o seu uso deliberado por essa audiência mixta. Flete chama a atenção para que todo o pecado está na vontade, que aquilo que é contra a vontade não é pecado e que o Demónio não nos tenta mais do que Deus permite; que a fé e a esperança, são a base da perfeição e a raiz de todas as virtudes, e que embora uma alma não mais veja Deus no seu desespero, continua a habitar no temor e no amor de Deus, e que todo este sofrimento é assim, paradoxalmente, grande recompensa aos olhos de Deus.(18)Flete, como Julian, faz a lista dos grandes pecadores, tais como David, Pedro e Maria Madalena, a quem Deus perdoou.(19)Igualmente, avisa que ninguém, por causa disto, deve decidir pecar voluntariamente, contando com este perdão.(20) Se a alma cair na dúvida, é crucial recordar que a Deus nada é impossível,  "And þerfore þenk weel þat his myght may do alle þinge, and his wisdom kan, and his goodnesse wole".(21)('E por isso, pensai bem que o seu poder pode fazer todas as coisas, e a sua sabedoria pode, e a sua vontade quer). E, continua,  "somtyme God with draweth deuocion for preyer to make the preyer more medeful. God wold be serued somtyme in bitternesse and somtyme in swetnesse".(22)('às vezes Deus retira a devoção pela oração para tornar a oração mais trabalhosa. Deus é servido umas vezes na amargura e outras na doçura'). E "For a man is not so redy to asken for3eueness and mercy, þat 3et oure mercyful lord of his grete goodnesse is more redy to 3eue it hym".(23)('Porque um homem nunca está tão pronto para pedir perdão e misericórdia quanto o nosso misericordioso Senhor, pela sua grande bondade, está pronto a dar-lhas').  Mais, no que diz respeito ao Demónio,  "þou3 he tempte 3ou with ony temtacions, þ(r)ou3 the myght of god and merites of his passyon it schal be no perel to 3ou of soule, but to hym it schal turn to schame & confusion" ('ainda que vos tente com todas as tentações, pelo poder de Deus e méritos da sua paixão, não haverá perigo para a vossa alma, mas para ele isto se tornará em vergonha e confusão'). William Flete igualmente usa a imagem de Deus como mãe que castiga os filhos para os impedir de fazerem o mal, sendo especialmente o caso daqueles que são "goddis seruauntes".(24)('servos de Deus').

V. Nuvem do Desconhecimento do Desconhecido Autor de Nuvem

Um escritor anónimo, provavelmente um eclesiástico forçado a viver no meio do mundo e que possuía os textos do Pseudo-Dionísio e de Orígenes, traduziu e adaptou estes textos em Médio Inglês, textos como A Nuvem do Desconhecimento e A Divindade Escondida de Dionísio; e usou-os também em A Epístola da Oração, A Epístola da Discreção nas Moções das Almas, A Epístola do Aconselhamento Interior e O Tratado do Discernimento dos Espíritos.(25) Ao fazer isto, o autor serviu-se de uma antiga tradição, que se pode ver também em Ovídeo e Paulo, Orígenes e o Pseudo-Dionísio, Jerónimo e Bonifácio, Abelardo e Heloísa, que consiste na escrita de tratados e epístolas, utilizado frequentemente por homens escrevendo a/ou para mulheres. Uma epístola semelhante, ainda, pode ser encontrada num manuscrito do Castelo de Norwich. Atribuída a Jerónimo ("Apistle of sent Jerom sent to a mayde demetriade. þat hadde uowed chastite to our lorde ihu criste") ('Epístola de S. Jerónimo enviada a uma jovem Demétria que votou castidade a nosso Senhor Jesus Cristo'), é na realidade a Epístola de Pelágio a Demétria, traduzida em Médio Inglês para benefício, talvez, de uma anacoreta de Norwich, o texto sendo depois escrito pela própria anacoreta e no dialecto de Julian; o manuscrito incluindo outros textos, um de Richard Lavenham, o confessor Carmelita de Ricardo II que ensinou em Oxford sobre as Revelações de Birgitta da Suécia, um outro, um texto Lollard.(26) Thomas More, zombando destes textos epistolares, disse: "They begynne theyre pystles in suche apostolycall fashyon that a man wold wene þt were wryten from saynt Paule hymself".(27)('Começam as suas epístolas num tal estilo apostólico que uma pessoa apostaria que tinham sido escritas por São Paulo').

Embora o autor de Cloud utilizasse textos difíceis, a partir de Paulo, Orígenes, Pseudo-Dionísio, João de Salisbury e Ricardo de S. Vítor, eles foram escritos para alguém que não sabia Latim. Estas obras são geralmente consideradas como tendo sido escritas para um jovem, imaginado como tendo sido, talvez, um irmão leigo Cartuxo. Mas porque é que este jovem rapaz com tal intelecto, não terá sido privilegiado com a aprendizagem do Latim? O próprio autor dos textos, pensou-se que fora um Cartuxo, embora Evelyn Underhill na sua apresentação do texto discutisse esta convicção, chamando a atenção para as referências do autor relativas ao comportamento daqueles que circulavam nos corredores do poder, entre os quais tinha de viver e trabalhar, tornando esta convicção insustentável, enquanto Dom Justin McCann na sua edição original estava convencido de que o autor fora um pastor da East Anglia. (28)

O autor de Nuvem do Desconhecimento começa por invocar e colocar em vernáculo a oração da Missa ("God, unto whom alle hertes ben open, & unto whom alle wille spekiþ, & unto whom no priue þing is hid: I beseche þee so for to clense þe entent of myn hert wiþ þe unspekable 3ift of þi grace, þat I may parfiteliche loue þee & worþilich preise þee. Amen" [EETS 218:1]), ('Deus, para quem todos os corações estão abertos, para quem todos falam, e a quem nada de interior está escondido, rogo-vos que purifiqueis a intenção do meu coração com o inefável dom da vossa graça, para que vos possa amar perfeitamente e louvar dignamente. Amen'), que faz eco à recomendação da Ancrene Riwle (Regra dos Anacoretas) desta oração da Missa para os seus três anacoretas.(29) Contudo, embora os anacoretas fossem convidados a olhar para o altar, raramente recebiam o sacramento, diz o autor da Ancrene Riwle aos seus leitores, "People think less of a thing which they have often, and for this reason you shall only receive Communion fifteen times a year, as our lay-brothers do."(30)('As pessoas pensam menos numa coisa que têm muitas vezes e, por esta razão, recebereis a comunhão apenas quinze vezes por ano, tal como os vossos irmãos leigos'). Depois, o autor de Nuvem do Desconhecimento, inicia-o de um modo que faz eco a De Isnstitutione Inclusarum, de Aelred de Rilvaux, "Suster, that hast ofte axed of me a forme of lyuyng accordyng to thyn estat, inasmuch as thou are enclosed"(31)(Irmã, que muitas vezes me perguntastes sobre a forma de viver de acordo com o vosso estado, na medida em que estais reclusa'), ao Liber de modo bene vivendi ad sororem, de Thomas de Froidmont, escrito para sua irmã de Yorkshire, Margaret de Jerusalém, que começa  "Soror mea . . . audi domini nostri jhesu cristi verba. Attendite ne corda vestra"(32)('Minha irmã . . . escutai as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo. Não atendeis às do vosso coração'), a Ancrene Wisse, "MIne leoue sustren"(33)('Minha amada irmã'), ao título de O Modo de Viver, de Richard Rolle, escrito para a reclusa Margaret Kirkeby e ao início da Escala da Perfeição de Walter Hilton, Parte Um,  "Ghostly sister in Jhesu Christ, I pray thee that in the calling which our Lord hath called thee".(34)(Irmã espiritual em Jesus Cristo, peço-vos que na vocação à qual nosso Senhor vos chamou')

O autor de Cloud escreve:

Goostly freende in God, I preie þee & I beseche þee þat þou wilt haue a besi beholding to þe cours & þe maner of þi cleeping. & þank God hertely, so þat þou maist þorow help of his grace stonde stifly in þe state & þe degree & in þe fourme of leuyng þat þou hast ententiuely purposed, a3ens alle þe sotil assailinges of þi bodily & goostly enemyes, & winne to þe coroun of liif þat euermore lasteþ. Amen.(35)

Amiga espiritual em Deus, peço-vos e rogo-vos que tenhais um esforçado controlo no curso e maneira do vosso chamamento e agradecei a Deus de todo o coração a fim de que Ele vos empreste a sua graça para vos manterdes firme no estado e grau, na forma de vida que intencionalmente vos propusetes, vencei  todos os subtis assaltos dos inimigos espirituais e corporais, e ganhai a coroa da vida eterna. Amen.

Quando os textos escritos em Médio Inglês procuravam a inclusão de ambos os sexos, porque eram escritos para uma audiência feminina, referiam-se a homens e mulheres por esta ordem. Nos textos escritos pelo autor de Nuvem do Desconhecimento, cuidado semelhante é tido em falar de "man and womman" ('homem e mulher'), como é também o caso da versão em Médio Inglês de Remédios contra as Tentações, de William Flete. A Nuvem do Desconhecimento é dirigida a um "Goostly freend in God" (EETS 218:13.1,8) ('Amiga espiritual em Deus'), que deve ser meigo e amoroso "to þis goostly spouse, þat is þe Almi3ty God" (15:4) (para este esposo espiritual, que é Deus Todo Poderoso'), que é comparado "what man or womman þat wenith to come to contemplacion" (27:16) ('ao homem ou mulher que queira alcançar a contemplação') e "it behoueþ a man or a womman" (27:20) ('é necessidade a um homem ou uma mulher'), e que é aconselhado a não ser orgulhoso e curioso no estudo como "in oþer men or wommen, what-so þei be, religious or seculers" (30:15-16) ('os outros homens ou mulheres, quem quer que sejam, religiosos ou seculares'), continuando esta fraseologia pelas páginas 35:18, 36:6,22, 37:19, 41:18, 50:13, enquanto os exemplos apontados ao leitor são de Maria Madalena e de Marta, claramente referidas como "scho" e "hir sistre",('lhe' e 'sua irmã') relato que vai em crescendo pelas páginas 48:17-49:11's
& ri3t as Martha pleynid þan on Marye hir sistre, ri3t so 3it into þis day alle actyues pleinen of contemplatyues. For & þer be a man or a womman in any companye of þis woreld - what companye se-euer it be, religious or seculers, I oute-take none - þe whiche man or womman(wheþer þat it be) feleþ hym sterid þorow grace and bi counsel to forsake alle outward besines, & for to sette hym fully for to lyue contemplatyue liif after þeire kunnyng and þeir concience, þeire cunseyl acordyng: as fast þeire owne breþren & sistres, & alle þeire nexte freendes, wiþ many oþer þat knowen not þeire sterynges ne þat maner of leuyng þat þei set hem to, wiþ a grete pleynyng spirite schal ryse apon hem, & sey scharply vnto hem þat it is no3t þat þei do. & as fast þei wil reken up many fals tales, & many soþe also, of fallyng of men & wommen þat han 3ouen hem to soche liif before; & neuer a good tale of hem þat stonden.
 

E tal como, então,  Marta se queixou da sua irmã Maria, do mesmo modo acontece até aos nossos dias que os activos se queixam dos contemplativos. Pois se houver um homem ou uma mulher rodeado de qualquer companhia neste mundo - qualquer que seja, de religiosos ou seculares, não excluo ninguém - e esse homem ou mulher (qualquer que seja) se sinta movido pela graça e por conselho, a abandonar todos os assuntos exteriores e dedicar-se à vida contemplativa, segundo o entendimento e consciência deles, prestando conselho, com muitos outros que não conhecem os seus anseios e modo de viver a que se propuseram, começam a quixar-se cada vez mais deles e a dizer-lhes agrestemente que é destruição o que fazem. E rapidamente recolhem muitas histórias falsas de muitos que se sabem ter caído, homens e mulheres, que tendo-se lançado nessa vida anteriormente, e nunca restou deles uma boa memória.

Através destes comentários, podemos bem imaginar qual seria a sorte da discípula de vinte e quatro anos, do autor de Nuvem. O autor de Nuvem, então, consola a sua leitora com as palavras de Cristo: "'Marye haþ chosen,' he seyde, 'þe best partye, þe whiche schal neuer be take from hir'" (54:9-10).(36)('Maria escolheu, disse ele, a melhor parte, que nunca lhe será tirada').  Continua o relato falando do anjo no Túmulo, honrando Maria acima dos discípulos masculinos,  a topos que foi também utilizado por Jerónimo e por Abelardo quando escreviam a consolar e a convencer mulheres, tais como Eustóquio e Heloísa, da sua superioridade no Cristianismo, "'Weep not, Marye; for whi oure Lorde wham þou sekist is resyn, & þou schalt haue him, & se him lyue ful feyre amonges his disciples in Galile, as he hi3t'" (55:16-18) (Não chores, Maria, porque o Senhor a quem procuras ressuscitou, e hás-de tê-lo e vê-lo vivo por completo, entre os seus discípulos na Galileia, como ele disse') e que seriam igualmente utilizados pelo Cardeal Adam Easton na sua Defensorium Sanctae Birgittae.(37)

O autor de Nuvem, acrescenta:

& 3if a man list for to se in þe Gospel wretyn þe wonderful & þe special loue þat oure Lorde had to hir, in persone of alle customable synners trewly turnid & clepid to þe grace of contemplacion, he schal fynde þat oure Lorde mi3t not suffre any man or woman, 3e, not hir owne sistre, speke a worde a3ens hir, bot 3if he answerid for hir hym-self. 3e, & what more! he blamid Symound Leprous in his owne hous, for he þou3t a3ens hir. þis was greet loue; þis was passing loue.
 

e dêm vagar para ver no Evangelho escrito o maravilhoso e especial amor que nosso Senhor tem por ela personalizando todos os usuais pecadores verdadeiramente voltados e chamados à graça da contemplação; ele verá que nosso Senhor não suporta que algum homem ou mulher, sim, nem a sua próropia irmã, diga uma palavra contra ela, pois ele mesmo responde por ela. E muito mais! Ele condenou Simão o Leproso por ter pensado contra ela. Este é um grande amor; este é um amor passageiro.

Assim o autor se arvora em defensor do seu leitor. (O seu leitor, por estes exemplos, deve ser com muito mais certeza uma mulher que um irmão leigo.) O autor continua falando do amor que se deve ter pelos "euen Cristen" [Cristão igual], quer "his frende or his fo, his sib or his fremmid", ('amigo ou inimigo, família ou conhecido'), descrevendo a "homly affeccion"(afeição familiar) que Cristo tinha por João, Maria e Pedro, acrescentando que (60),
For as alle men weren lost in Adam [see also 14:2, 142:14], & alle men, þat wiþ werke wil witnes þeire wille of saluacion, ben sauid, & scholen be, by vertewe of þe Passion of only Crist.

Pois tal como todos os homens se perderam em Adão [veja-se também 14:2, 142:14], se com trabalho derem testemunho da sua vontade de salvação, são salvos e serão, pela virtude da Paixão única de Cristo.

Acrescenta (61:1-4),
& who-so wile be a parfite dissiple of oure Lordes, him behouiþ streyne up his spirite in þis werke goostly, for þe salvacion of alle his breþren & sistren in kynde, as oure Lorde did his body on þe cros. & how? Not for his freendes & his sib & his homely louers, bot generaly for alle man-kynde, wiþ-outen any special beholdyng more to one þen to anoþer. For alle þat wylen leue sinne & axe mercy scholen be sauid þorow þe vertewe of his Passion.
 

e aquele que quer ser discípulo perfeito de nosso Senhor, comporte-se e treine o seu espírito no trabalho espiritual, pela salvação de todos os seus irmãos e irmãs de natureza, como nosso Senhor pôs o corpo na cruz. E como? Não para os seus amigos, os seus familiares e seus íntimos, mas por todo o género humano, sem excluir ninguém, tendo mais atenção por um do que por outro. Pois todos os que quiserem amar os pecadores e tiverem misericórdia, serão slavos pela virtude da sua Paixão.

Na página 74:14, o autor de Nuvem fala da oração vocal que consiste numa súbita exclamação, quando por exemplo, "man or a womman, afraid wiþ any sodeyn chaunce of fiir, or of mans deeþ, or what elles þat it be, sodenly in þe hei3t of his speryt" ('um homem ou uma mulher, com medo duma necessidade urgente de fugir, ou de morrer, ou qualquer outra coisa, subitamente no mais alto do seu espírito') pronuncia uma palavra com uma só sílaba, tal como "þis worde FIIR or þus word OUTE." ('a palavra FOGE ou a palavra FORA'). Continua, dizendo que tal "schort preier peersiþ heuen" ('curta oração trepassa o céu'). Repete este exemplo (78:5), "Ensaumple of þis haue we in a man or a womman affraied in þe maner before-saide" ('Exemplo disto temos num homem ou numa mulher amedrontados da forma anteriormente dita'). Mais adiante ele fala dos problemas de um "3ong disciple" ('jovem discípulo') que pode deixar-se enganar, continuando, dizendo que "A 3ong man or a womman, newe set to þe scole of deuocion," (85.15-16) ('Um homem jovem ou uma mulher, noviço na escola da devoção') pode exagerar nos exercícios espirituais por orgulho. E, continua, "For what schuld it profite to þee to wite hou þees greet clerkis, & men & wommen of oþer degrees þen þou arte, ben disceyvid?" (86:25-87.1) ('Porque, qual será o teu proveito em quereres ter a inteligência desses grandes servos, e homens e mulheres que estão noutro grau que tu não estás, e seres enganado?')

Depois, no restante texto, esta sensibilidade ao sexo do leitor, não mais é necessária. Ele despede-se "Farewel, goostly freende, in Goddes blessing & myne! & I beseche Almi3ti God þat trewe pees, hole conseil, & goostly coumforte in God wiþ habundaunce of grace, euirmore be wiþ þee & alle Goddes louers in eerþe. Amen" (133:4-7) ('Adeus, amiga espiritual, na benção de Deus e minha! Rogo a Deus Todo Poderoso, que a verdadeira paz, o bom conselho e espiritual conforto em Deus, com abundância de graça, estejam para sempre contigo e com todos os que amam Deus sobre a terra. Amen'.) O tom em que escreve é o que é usado para alguém do seu nível, muitas vezes com o tipo de humor que um homem pode ter para com a sua irmã.

VI. A Nuvem de um Grupo de Textos do Desconhecido Autor de Nuvem

No livro seguinte,  þe Book of Priue Counseling, (O Livro do Aconselhamento Interior), temos de novo indicações de que o leitor é uma reclusa feminina, porque o escritor fala dos tipos de oração que se podem ter, "be it orison, be it psalm, ympne or antime, or any oþer preyer, general or specyal, mental wiþ-inne endited bi þou3t or vocale wiþ-outen by pronounsyng of worde" (135:17-19) ('seja ela meditação, seja salmo, hino ou antífona, ou qualquer outra oração, geral ou especial, interior e mental, ajudada pelo pensamento ou vocal, exteriorizada pelo pronunciar de palavras'). Tal oração é descrita na Ancrene Wisse e em Espelho das Almas Simples, deMarguerite Porete, e é tipicamente esperada duma anacoreta. Ele escreve mesmo uma oração para a sua leitora, idêntica àquela que encontramos Julian a dizer, no seu sugerido e reiterado, "þat at I am, Lorde, I offre vnto þee, wiþoutyn any lokyng to eny qualite of þi beyng, bot only þat þou arte as þou arte, wiþ-outen any more" (136:4-6) ('aquilo que sou, Senhor, eu vos ofereço, sem olhar a alguma qualidade do que sois, mas apenas que sois como sois, sem nada mais'), uma oração moldada sobre a que foi dita por Maria na Anunciação a Gabriel, Lucas 1, 38, enquanto a correspondente oração de Julian, é moldada antes sobre a de David a Deus quando está para morrer (1Crónicas 29, 10-20). É interesante que Orígenes, Sobre a Oração, discute estas orações de David(38) e que todas elas são semelhantes à oração de John Whiterig na Ilha de Farne.(39) O autor de Nuvem, repete muitas vezes esta simples oração no seu texto, concluindo com  "þat at I am, Lorde, I offre vnto þee, for þou it arte" (137:1-2) ('O que eu sou, Senhor, eu vos ofereço, porque vosso é'). De modo semelhante apresentará repetidamente Walter Hilton a sua oração do Peregrino de Jerusalém em A Escada da Perfeição, Parte Dois, escrita depois de ter lido a Nuvem do Desconhecimento e outras obras do autor de Nuvem.

O autor de Nuvem fala, em seguida, divertidamente, sobre as críticas que recebeu por escrever para o seu leitor sobre assuntos que se pensam ser inadequadamente complicados.

þis is litil maistrie for to þink, 3if it were bodyn to þe lewdist man or womman þat leiþ in þe comounist wit of kynde in þis liif, as me þenkiþ. & þerfore softely, mornyngly & smylyngly I merueyle me somtyme whan I here sum men sey (I mene not simple lewid men & wommen, bot clerkes of grete kunnyng) þat my writyng to þee and to oþer is so harde and so hei3, & so curious & so queinte, þat vnnethes it may be conceiuid of þe sotelist clerk or wittid man or womman in þis liif, as þei seyn.
 

não é preciso muita habilidade para entender, porque segundo penso, podiam ser dados a ler a um homem ou mulher que esteja na camada mais comum de inteligência. E por isso docemente, devagar e a sorrir fico admirado às vezes quando oiço alguns dizerem (não me refiro apenas a homens e mulheres de condição simples, mas clérigos de grande inteligência) que os meus escritos, para eles e para outros, são tão difíceis e elevados, tão profundos e tão estranhos, que não podem ser entendidos pelo mais subtil clérigo ou dotado de inteligência, quer homem quer mulher, tal como estão escritos.

E continua a falar de como é paradoxal que homens e mulheres vejam no que é simples como o A.B.C. para crianças, algo de especialmente complicado como o saber do maior dos estudiosos. O que afirma é que "mans soule or wommans in þis liif is verely in louely meeknes onyd to God in parfite charite" ('a alma do homem ou da mulher nesta vida está verdadeiramente em amorosa docilidade unida a Deus em caridade perfeita') através duma simples oração como esta') (137:4-25). Julian, no Texto Longo, igualmente joga com o conceito do alfabeto (Manuscrito de Paris, folio 165v), "Of whych gretnes he wylle we haue knowyng here as it were an .A.B.C."('De que grandeza Ele é, temos aqui conhecimento como se fosse um A.B.C.')

O seu primeiro exemplo aqui, como em A Nuvem, centra-se numa mulher: "bere up þi seek self as þou arte & fonde for to touche bi desire good gracious God as he is, þe touching of whome is eendeles helpe by witnes of þe womman in þe gospel: Si tetigero vel fimbriam vestimenti eius salua ero. 'If I touche bot þe hemme of his cloþing I schal be saaf'" (''cuidai na forma como o procurais e gostais de tocar pelo desejo o Deus de misericórdia que ele é,  porque tocá-lo é um auxílio infinito pelo testemunho da mulher no evangelho: Si tetigero vel fimbriam vestimenti eius salua ero. 'Se tocar apenas a baínha das suas vestes, ficarei curada'') (139:3-5).(40)

Vemos que ele tem de cuidadosamente traduzir o Latim para a sua inculta mas brilhante leitora, o que não era necessário fazer para o autor de Ancrene Wisse.(41)As religiosas do século treze ainda sabiam algum Latim, mas as do século catorze já não, com algumas excepções talvez, tais como as monjas Cistercienses de Hampole e as monjas Brigitinas de Syon.(42) O texto continua com a sua fraseologia sensível ao sexo:

as wel alle þi breþren & sistren in kynde & in grace (141:1, 142:24),

bem como todos os irmãos e irmãs em género e em graça

até que, tal como em Nuvem do Desconhecimento, não mais precisa de continuar com esta atenção. Uma vez que nós, leitoras, tenhamos notado a nossa inclusão no texto, não mais podemos lermo-nos como não fazendo parte dele, não podemos retirar o nosso negrito e regressar ao pano de fundo da letra normal.

VII. Pseudo-Dionísio

Estamos lembrados que Julian, no Texto Longo de Revelação de Amor, falou de "Seynte dionisi of france" (P37-37v) ('São Dionísio de França') e do seu altar ao "the vnknowyn god" ('Deus desconhecido). O BeneditinoAdam Easton de Norwich, Oxford e da Cúria Papal em Avinhão e Roma, Cardeal titular de Santa Cecília no Trastevere, possuía as obras completas do Pseudo-Dionísio num belo manuscrito do século treze que incluía Grego no meio do seu Latim.(43) Ele tinha estado em Oxford ao mesmo tempo que o seu companheiro Benedictino John Whiterig. O capítulo setenta da Nuvem do Desconhecimento, cita Dionísio de modo curioso, como já o tinha feito John Whiterig de Farne nas suas Meditações em Latim.(44)
. . . & herfore it was þat Seynte Denis seyde: 'þe moste goodly knowyng of God is þat, þe whiche is knowyng bi vnknowyng.' & trewly, who-so wil loke Denis bookes, he schal fynde þat his wordes wilen cleerly aferme al þat I haue seyde or schal sey, fro þe biginnyng of þis tretis to þe ende. On none oþerwise þen þus list me not alegge him, ne none oþer doctour for me at þis tyme. For somtyme men þou3t it meeknes to sey nou3t of þeire owne hedes, bot 3if þei afermid it by Scripture & doctours wordes; & now it is turnid into coriousitee & schewyng of kunnyng. To þee it nediþ not, & þerfore I do it nou3t. For who-so haþ eren, lat hem here, & who-so is sterid for to trowe, lat hem trowe; for elles scholen þei not. (EETS 218.125)(45)
 

. . . e aqui está o que São Diniz disse: 'que o melhor conhecimento de Deus é aquele conhecimento através do não conhecimento'. E, verdadeiramente, quem olhar para os livros de Diniz, encontrará que as suas palavras claramente afirmam tudo quanto eu disse ou direi, desde o princípio deste tratado até ao fim. Portanto não me importunem mais, nem me acusem, nem me ensinem agora. Porque às vezes pensam que é humildade nada dizer do que se tem na cabeça, mas que o afirm segundo a Escritura e as plavras dos doutores e agora isso mudou para uma demonsrtração da curiosodade e esperteza. Para vós não é assim e, portanto, não o farei. Para quem assim for, deixá-lo ser e quem quiser encontrar que encontre. Para as . . . .???
For who has ears, let them hear, and who is stirred to believe, let them believe, or else shall they not.

O Livro do Aconselhamento Interior, fala dos outros escritos do autor de Nuvem como baseados em Dionísio, "þis is þe cloude of vnknowyng . . . þis is Denis deuinite . . . þis it þat settiþ þee in silence as wele fro þou3tes as fro wordes. þis makiþ þi preier ful schorte. In þis þou arte lernid to forsake þe woreld & to dispise it" (EETS 218.154:15-20). (Esta é a nuvem do desconhecimento . . . esta é a divindade de Dionísio . . .isto é o sentarde-vos em silêncio bem como livre de  pensamentos e palavras. Isto faz a vossa oração muito curta. E nisto aprendeis a abandonar o mundo e a desprezá-lo')

O texto de A Divindade Escondida de Dionísio, do mesmo autor para a mesma audiência de uma só pessoa, traduz então a Mística Teologia de Pseudo-Dionísio e aprofunda esta matéria, referindo-se não à Trindade do texto Grego ou Latino e tradução, mas à Sabedoria, como Deusa. Não consigo fornecer o Grego em HTML, mas em Latim, a invocação torna-se "Trinitas superdea et superbona, inspectrix divinae sapientiae Christianorum." ('Trindade Deus supremo e bondade suprema, inspiradora da divina sabedoria dos Cristãos') O manuscrito de Adam Easton deste texto, agora na Universidade de Cambridge, abre com o mais assimétrico T, com folha de outo enterlaçada, para Trinitas': {T. (Gosto de pensar que Julian viu este fólio) O Médio Inglês do autor de Nuvem, feminiza ainda mais, deixando cair "Trindade", que em Inglês não tem género, como a que é invocada, substituindo-a pela feminina "Wisdom" (Sabedoria), fazendo eco à Grande Antífona do 'O' do Advento, em 17 de Dezembro, "{O Sapientia!"

Þou vnbigonne & euerlastyng wysdome, þe whiche in þiself arte þe souereyn-substancyal Firstheed, þe souereyn Goddesse, & þe souereyn Good, þe inliche beholder of þe godliche maad wisdome of Cristen men (EETS 231.2).(46)
 

vós sem começo e eterna sabedoria que em vós mesma sois a soberana-substancial [First One]???, a soberana Deusa e soberano Bem, a [inward]??? detentora da louca sabedoria dos Cristãos

Assim fala um dotado e culto pregador a alguém que intelectualmente admira mas que, no entanto, sabe ser 'inculta em letras', na educação formal que os homens podiam obter, mas não as mulheres. Através de todo o escrito, se dirige à sua audiência de uma só pessoa, não apenas como intelectualmente igual a ele mas até superior. Por exemplo, no capítulo trinta e três, "I tro þat þou schalt cun betir lerne me þen I þee" ["I believe that you know better how to teach me than I you" (67:16-17)] (acredito que sabeis melhor ensinar-me que eu a vós). As grandiloquentes frases desta invocação fazem eco ao texto de Julian.

Todos os editores e comentadores de Nuvem do Desconhecimento assumiram que ele fora escrito para um jovem rapaz.(47) No entanto, o mesmo se passou não com a audiência mas com o escritor, no caso de Espelho das Almas Simples, de Marguerite Porete.  Mesmo o tom jocoso e admirador manifestado por eruditos Parisienses cultos, em resposta ao seu livro é o mesmo do autor de Nuvem para com a sua jovem leitora.(48) O conjunto de textos do autor de A Nuvem do Desconhecimento está cuidadosamente escrito em vernáculo e evidencia um mesmo cuidado nos termos que indicam a inclusão de sexo, certamente por ser escrito para uma jovem mulher contemplativa.

Existem frases nestes textos Dionisianos que fazem eco a Espelho das Almas Simples de Marguerite Porete, "and prey not wiþ þi mouþ . . . be it orison, be it psalm, ympne or antime, or any oþer preyer, general or specyal, mental wiþ-inne endited by þou3t or vocale wiþ-outen by pronounsyng of worde. & loke þat noþing leue in þi worching mynde bot a nakid entent streching into God, not cloþid in any specyal þou3t of God in hym-self, how he is in him-self or in any of his werkes, bot only þat he is as he is"(49)('e rezai não com a boca . . . seja meditação, salmo, hino ou antífona, ou qualquer outra oração, geral ou especial, interior, mental, desencadeada pelo pensamento, ou vocal exterior, pronunciando palavras. E olhai a que nada permaneça na vossa mente senão um entendimento nú que se estica para Deus, não resvestido de nenhum pensamento especial do próprio Deus, de como ele é em si mesmo ou em qualquer das suas obras, mas apenas em que ele é como é') e outros a que Julian de Norwich, por sua vez, faz eco, "þat byleue þi grounde" (W89v) ??([that belief your foundation]'que por baixo do chão'), "I am wel apaied" (W83v) ('fico bem paga') e mesmo na sua oração de Revelação de Amor , "þat at I am, Lorde, I offre vnto þee, wiþoutyn any lokyng to eny qualite of þi beyng, bot only þat þou arte as þou arte, wiþ-outen any more" (W75v).(50)('o que sou, Senhor, vos ofereço, sem olhar a nenhuma característica do vosso ser, mas apenas que sois como sois, sem mais nada')

Claramente, o grupo de textos de Nuvem do Desconhecimento, está centrado numa comunidade de textos de mulheres e não de homens. Na verdade, vê-se que o autor de Nuvem conhecia  O Espelho das Almas Simples, de Marguerite Porete e influenciou A Revelação de Amor de Julian de Norwich. Pode mesmo  ter acontecido que lhe emprestasse O Espelho das Almas Simples na sua versão em Médio Inglês, porque ele aparece na Revelação de Amor no manuscrito mais antigo que possuímos do texto, o de Amherst.

Um primitivo manuscrito do Autor de Nuvem, Oxford, University College 14, está no dialecto de East Anglia e vários outros são da área Escandinávia, embora outros primitivos manuscritos estejam no dialecto de East Midland de Hilton.(51) Dois dos dezassete manuscritos também incluem os ensinamentos de Sta. Catarina de Sena(52), enquanto um outro, traduzido em Latim pelo Cartuxo Richard Methly, da Cartuxa de Mount Grace, Yorkshire, inclui novamente Speculum Animarum Simplicium  ou Espelho das Almas Simples de Marguerite Porete (neste manuscrito atribuido a "Russhbroke" ou Ruusbroec).(53) Três manuscritos de Nuvem do Desconhecimento estão anotados pelo Cartuxo de Sheen, James Greenhalgh, que também anotou o Manuscrito de Amherst que inclui o manuscrito do Texto Pequeno de A Revelação de Amor, e James Greenhalgh habitualmente fazia isto em conjunto com a moja Brigitina Joanna Sewell.(54) Alguns destes manuscritos vieram ter ao Priorado de Mount Grace, juntamente com O Livro de Margery Kempe, outros caíram nas mãos dos Padres Augustine Baker e Serenus Cressy, para utilização na direcção espiritual de Beneditinas Inglesas no exílio, em Cambrai e Paris, juntamente com Revelação de Amor de Julian de Norwich e Escada de Perfeição de Walter Hilton.(55)


VIII. O Castigo dos Filhos de Deus

A 'Oração a S. Paulo' de Anselmo, utilizou a imagem de Jesus, de Lucas, combinada com a de Paulo em Gálatas 4, 19, comentada por Orígenes, usada, por sua vez, por Walter Hilton, na conclusão de A Escada da Perfeição, Parte Um.(56)Jesus como Mãe, está por toda a parte nos textos medievais. Ritamary Bradley afirmou que a imagem de Jesus na Ancrene Riwle expandiu-se em Anselmo ao colocá-lo "himself between us and his Father who was threatening to strike us, as a mother full of pity puts herself between the stern angry father" and the child.(57) (a Ele, entre nós e o Pai que ameaçava castigar-nos, como uma mãe cheia de piedade se entrepõe ao pai inflexível e zangado')

John Whiterig, o eremita Beneditino de Farne, escreveu nas suas Meditações,

Even so is it with mothers who love their little children tenderly . . . Christ our Lord does the same to us. He stretches out his hands to embrace us, bows down his head to kiss us, and opens his side to give us such; and though it is blood which he offers us to suck, we believe that it is health-giving and sweeter than honey and the honey-comb.(58)

Até com as mães que amam ternamente os seus filhos pequenos, assim é . . . Cristo nosso Senhor, faz o mesmo connosco. Estende as mãos a abraçar-nos, inclina a cabeça a beijar-nos e abre-nos o seu lado para no-lo dar. E, ainda que seja sangue o que nos dá a mamar, acreditamos que nos dá saúde e é mais doce que o mel e o favo de mel.

O Eremita Agostinho, William Flete, usou a imagem em Remédios Contra as Tentações, obtendo-a de Stimulus Amoris, escrito por Tiago de Milão e que veio a ser traduzido por Walter Hilton, o Cónego Agostinho. Mas O Castigo dos Filhos de Deus, embora seja influenciado por William Flete, vai buscar esta passagem antes a Ancrene Wisse.(59) O Castigo diz-nos,
That hooli men and goode men bien more tempted þan oþir men; and how oure lorde pleieþ wiþ his children, bi ensample of þe moder and hir child; and what ioie and mirthe is in oure lordis presence.(60)
 

os homens santos e os homens bons são mais tentados que os outros homens. E como nosso Senhor brinca com os seus filhos, como uma mãe e o seu filho. E que alegria e júbilo é a presença de nosso Semhor.

O Castigo dos filhos de Deus, que não é uma obra de William Flete (como Julian de Norwich na sua Revelação de Amor), mas que ele conhece e de que faz uso, foi escrito para ser dito oralmente a um grupo de mulheres e , por escrito, dado a uma mulher. Está dirigido a "sister" ('irmã') e a  "friend" ('amiga'), e tal como William Flete e o Autor de Nuvem, cuidadosamente fala de "men and women" ('homens e mulheres'). Num dos manuscritos, na Biblioteca Bodleiana, Bodley 505, está encadernado com Espelho das Almas Simples de Marguerite Porete; outro manuscrito da mesma obra, veio parar a Cambridge, St John, onde é 128 (E25), e onde está acompanhado de 71 (C21) que também contém o Espelho das Almas Simples (o manuscrito de St. John College é provavelmente originário da Biblioteca da Irmãs da Abadia de Syon bem como das casas Cartusianas com quem partilhavam textos); e um terceito manuscrito contém esta obra, os Oito Capítulos da Perfeição, de Hilton, Revelationes de Birgitta da Suécia e De Remediis de William Flete (Biblioteca Britânica, Harley 6615), enquanto um quarto manuscrito contém a Epístola sobre a Oração do Autor de Nuvem, A Escada da Perfeição, de Hilton e o anónimo Castigo dos Filhos de Deus (Biblioteca da Universidade de Liverpool, Rylands F.4.10).

O texto de O Castigo serve-se de Gethsemani, o seu refrão sendo constantemente "Vigilate et orate", ('Vigiai e orai'), um tema presente também em Speculum Inclusorum. Utiliza a metáfora de Deus que brinca com os seus filhos como a mãe com o seu filho, indo buscar a imagem, que também está presente no De Remediis de William Flete e nas Meditações de John Whitering, à Ancrene Wisse. Fala-nos do problema da tradução do Latim para o Inglês, especialmente quanto à palavra "prescience" (presciência'), palavra assinalada também num manuscrito de Adam Easton.(61) Pelo uso que faz de Desposórios Espirituais de Ruusbroec e de Epistola Solitarii de Alfonso Pecha, que é escrita como prefácio de Revelationes, Book XIII, sobre o Discernimento do Espíritos de Birgitta da Suécia, pode ser datado de não anterior a 1373 nem posterior a 1401, porque a Purificação da Alma Humana, que foi escrita antes de 1401 e era propriedade de Sibille de Helton, Abadessa de Barking, cita a partir de O Castigo dos Filhos de Deus.

Julian usa este material no discernimento dos espiritos,  no Texto Longo de 1393 e no Texto Pequeno de 1413 e tinha falado nele com Margery Kempe pouco antes de 1413 no Texto Oral. Contudo, já tinha ultilizado o "Jesus como Mãe" como figura de retórica, tão cêdo quanto o Texto de Westminster que se pode datar de 1368. Assim, é possível que Julian tenha influenciado O Castigo; tal como os textos da Epistola Solitarii com o tema do 'Discernimento dos Espíritos' de Alfonso de Jaén, e a Defensorium Sanctae Birgittae de Adam Easton, possivelmente terão influenciado o Texto Oral e O Texto Pequeno de Julian. É possível que estejamos perante 'uma comunidade de textos' no sentido de Brian Stock, envolvento ao mesmo tempo homens e mulheres. Curiosamente, O Castigo muda o texto original de Ruusbroec, "neiþer to pope" ('nem ao papa'), para acrescentar o seguinte:"ne to cardinal".(62)('nem ao cardeal'). Partilha igualmente com o Autor de Nuvem a frase "devil's contemplatives" ('contemplativos do diabo'), usada para os heréticos.(63) Se fossemos uma Dorothy Sayers, poderíamos detectar uma conexão entre este texto, O Castigo dos Filhos de Deus, e o agrupamento de textos em volta de Nuvem do Desconhecimento.


IX. O desconhecido Autor de Nuvem

Existe a possibilidade de todos estes textos, exceptuando  Meditações de John Whiterig e Remédios Contra as Tentações de William Flete, terem sido escritos pelo, primeiro Mestre, depois Cardeal Adam Easton de Norwich (1330-1397/8), em ligação com a anacoreta Julian de Norwich. Alguns destes textos, tal como  Nuvem do Desconhecimento, podem ter sido escritos enquanto ele pregava em Norwich e em Oxford, onde ensinava Hebraico; outros, tais como as várias Epístolas, podem bem ter sido escritos a partir da Cúria Papal, durante as suas perigrinações de Avinhão para Roma e outras paragens, para serem enviados para um eremitério de anacoreta em Inglaterra, enquanto O Castigo do Filhos de Deus parece tratar-se de palestras dirigidas a monjas de um convento Beneditino e, tem sido sugerido, tratar-se possivelmente do Priorado de Carrow.

Porque, o Beneditino Adam Easton possuía as obras completas do Pseudo-Dionísio, o Aeropagita, uma obra de Orígenes e uma obra do Rabi David Kimhi, entre outras. Entre os seus próprios escritos que se perderam, encontrava-se um tratado intitulado Perfectio Vitae Spiritualis e outro material em idioma vernáculo.(64)Esteve, ao mesmo tempo que John Whiterig, em Oxford, antes deste partir para Farne; conheceu Catarina de Sena e Birgitta da Suécia, William Flete e Alfonso of Jaén durante a sua presença na Cúria Papal em Avinhão e Roma; presidiu à canonização de Sta. Birgitta da Suécia, lendo por inteiro duas vezes as suas enormes Revelationes, e foi provavelmente ele quem trouxe para Inglaterra o manuscrito de Dialogo, de Catarina de Sena, escrito por Cristofano Di Gano, e que constituiu a base, mais tarde, do Orcherd of Syon(65); é também muito provável que fosse ele a trazer para Inglaterra um manuscrito da Epistola solitarii ad reges de Alfonso de Jaén, do qual Easton obteve o modelo para a sua obra Defensorium Sancte Birgitte, e que foi taduzido e copiado em Norfolk.(66) Entretanto, Cristofano Di Gano, discípulo de Catarina ao mesmo tempo que William Flete, depois da morte de Catarina de Sena, fez com que se traduzissem as Revelationes de Birgitta da Suécia em Sianês, num lindíssimo manuscrito iluminado, que se encontra ainda em Siena, para o cenacolo fundado por Catarina de Sena ao qual ambos, ele e William Flete, pertenciam.(67) Com este manuscrito está, juntamente, uma versão Latina abreviada de Revelationes, escrita por Alfonso de Jaén, acompanhada de um relato dos milagres de Birgitta e feita em vista da sua canonização.(68)Enquanto na Biblioteca Ricardiana de Florença, está uma tradução em Italiano Florentino de Espelho das Almas Simples de Marguerite Porete, prefaciado pelos mesmos textos de Orígenes que Adam Easton usou.

A Nuvem do Desconhecimento, no início, tinha dito à sua então jovem leitora que existem quatro graus e formas de vida Cristã: Comum, Especial, Singular (Solitária) e Perfeita,  e que ele está crente de que a sua leitora é chamada por Deus a vivê-las todas, encontrando-se agora no terceiro grau, vivendo como Solitária.(69) Ainda que atraído ele próprio pela vida contemplativa, ele vive no mundo e preocupa-se com o uso correcto do tempo, "A token is that time is precious: for God, that is giver of time, giveth never two times together, but each one after other".(70)('Um sinal é o tempo ser precioso: para Deus, que nos dá o tempo, nunca deis dois tempos ao mesmo tempo, mas um depois do outro')  De modo semelhante, Julian sabe o termo técnico para a medida do tempo, "touch" ou "toc" ('tiquetaque')(P50v; A106v.4). Este é, seguramente, o modo como um erudito e um futuro Cardeal organizaria a sua vida.(71)Não será possível que este agrupamento de tratados pudesse ter vindo da mão de Adam Easton?

Quando Adam Easton escreveu em Latim, desde os seus exercícios académicos, "Utrum Adam ad lege statius innocencie visionem immediatem Dei essencie haberat", passando pelas suas obras mais tardias, jogou com o seu nome duma forma elaborada, até com acrósticos, e acentuou os seus significados Hebraicos. Adam de St. Victor tinha-o feito igualmente e Adam Easton apanhou a herança da tradição Vitorina. Em Médio Inglês, se Easton for o autor de Nuvem, foi muito mais cauteloso com a anonimidade. Não obstante, esses textos jogam com esse nome em Nuvem do Desconhecimento e em Epístola do Aconselhamento Interior, onde o autor fala à leitora dizendo-lhe que ela foi chamada da sua perdição em Adão para a salvação no sangue precioso de Deus, enquanto a Parábola do Senhor e do Servo, de Julian, joga igualmente com a justaposição de Adão e Cristo, na visão de Deus.(72)Julian repete a passagem a propósito de se ter perdido por Adão e ser salva por Cristo (P53, A106v.28-34), e escreve mesmo sobre Adão em letra vermelha (P 53.16-18), Adão, em Habraico, significando vermelho, tisnado, corado, como Easton sabia:

Adams synne was the most harme
that evyr was done or evyr shalle
in to the worldes end.
 

O pecado de Adão foi o pior mal
que alguma vez foi feito ou possa vir a ser
até ao fim do mundo.

O texto de A Nuvem do Desconhecimento aponta que a leitora está "now of foure & twenty 3ere age".(73) ('agora nos seus vinte e quatro anos de idade') Se este foi um texto dado a Julian de Norwich quando ela tinha vinte e quatro anos, ela recebeu-o em 1367, um ano antes, talvez, daquele em que escreveu o Texto de Westminster, de 1368, em cuja data, segundo A Nuvem do Desconhecimento, se ela é a sua destinatária, já está a viver a vida Singular de anacoreta, tendo passado a ela a partir da vida Comum e Especial, primeiro como leiga, depois, como o texto o diz, como serva dos servos de Deus (14.5, talvez como uma criada leiga das monjas, ou menos provavelmente como irmã de coro em Carrow). Julian, nos seus Textos Longo e Pequeno, fala do seu serviço de Deus na juventude.(74)A Nuvem do Desconhecimento é precisamente o género de texto que pode desencadear a escrita da Revelação de Amor do Texto de Westminster, estimulando uma antítese catafática à sua tese apofática, oferecendo resistência à sua hierarquisação Pseudo-Dionisiana com a sua celebração relativa aos nossos 'quaisquer-Cristãos'. A mais tardia Epístola do Aconselhamento Ínterior, fala da doença da sua destinatária e preocupa-se com a sua saúde. Se as Epístolas são de Adam Easton, podem ter-lhe sido escritas do estrangeiro, de França e Itália, Avinhão e Roma. O facto do Texto de Westminster falar de dor e dos Textos Longo e Pequeno descreverem um quase fatal episódio de doença, corresponde repetidamente ao texto do autor de Nuvem escritos à sua "Goostly freende in God" ('Irmã espiritual em Deus'), tão atreita à doença. Um manuscrito de Adam Easton chega a assinalar dados sobre deformidade e paralisia numa mulher. Mas é também evidente que Julian se tornou mais robusta com o tempo, vivento até a uma madura velhice. Julian está mais perto do Dionisianismo de A Nuvem do Desconhecimento no seu Texto de Westminster, de 1368, crescendo e afastando-se do seu Quietismo apofático no Texto Longo de 1393 e tornando-se muito apreensiva acerca disso no Texto Pequeno de 1413.

Maika J. Will mostrou que o agrupamento de tratados de Nuvem ainda vai mais além do Pseudo-Dionísio no seu Quietismo, se não mesmo Eitismo.(75) Podem muito bem representar uma fase no bildungsromanz de Adam Easton, onde ele se ensinava a si mesmo, através de ensinar outrém. Incapaz, como ele mesmo admite, de ser um solitário, faz experiências com outra pessoa - que terá a coragem de se rebelar contra isso, ao mesmo tempo que usa esse material, e de se opor a ser tratada como um objecto - como na verdade, pelo tom das observações do Autor de Nuvem, podemos concluir que já acontecera. Se o Autor de Nuvem foi Adam Easton e a sua audiência Julian de Norwich, podemos encara-los como João da Cruz e Teresa de Ávila, complementando-se e equilibrando-se no seu mútuo misticismo, um negando as imagens, a outra indo ao seu encontro, tal como uma avelã, a chuva dos beirais dos telhados, as escamas de um arenque, roupa a secar num estendal, como imagens da Criação e do Criador, da Encarnação e Crucifixão, da Palavra que se tornou carne e habitou entre nós, do mundo criado pela Palavra.

O Castigo dos Filhos de Deus terá sido escrito muito mais tarde que o agrupamento de textos de Nuvem, provavelmente pouco antes de 1382, durante a altura em que Julian estava a escrever não o Primeiro Texto, mas o Texto Longo, enquanto o material sobre o discernimento dos espíritos de Epistola Solitarii de Alfonso de Jaén ecoa no Texto Oral pré-1413 - o relato da conversa de Julian com Margery -, e no Texto Pequeno de 1413. Muito do conteúdo de O Castigo, reflecte a biblioteca de textos que se encontram no Texto da Catedral de Westminster e no Texto Pequeno de Amherst, tais como Qui habitat de Hilton, Desposório Espiritual de Ruusbroec, Epistola solitarii de Alfonso of Pecha's, Horologium Sapientiae de Suso e, na verdade, o seu formato fá-lo aparecer como tendo origem numa série de palestras feitas num convento feminino.(76) Poderão elas ter sido feitas pelo Cardeal Adam Easton às monjas do Priorado Beneditino de Carrow, em Norwich, escritas, depois, de modo a que pudessem ser lidas por uma solitária, Julian, de modo semelhante, também, ao que Adam Easton usou na defesa de Birgitta? Podem também ter sido partilhadas com a Abadia Beneditina de Barking, onde a filha de Chaucer era monja. Adam, como Cardeal de Inglaterra na Cúria Papal e Geoffrey Chaucer, o diplomata do Rei na Itália, ter-se-ão conhecido bem. É mesmo possível que a relação de Julian com a sua Abadessa de Carrow se reflicta na relação da Segunda Monja dos Canterbury Tales de Chaucer (cuja história é a de Santa Cecília) com a sua Prioresa (cuja história tem um análogo anti-semita em Norwich, o da criança assassinada, São Guilherme).(77)Textos semelhantes ocorrem num outro manuscrito com possíveis associações com Carrow, tais como Horologium Sapientiae de Suso, Remédios contra as Temtações de Flete, e os comentários dos Salmos de Hilton, que podem estar associados com Adam Easton.(78)

Julian de Norwich, no Texto Longo, fala muito explicitamente deste mesmo São Dionísio (P37-37v), cujas obras estes autores partilham numa comunidade de textos.  O que enfranquece e vai contra esta afirmação é que apenas um antigo bom manuscrito, na University College, Oxford, e que inclui o ensinamento de Catherine of Siena, que Adama Easton conheceu, está num dialecto que pode ser associado a East Anglia.(79) O Castigo dos Filhos de Deus vem até nós em duas famílias, uma com características do Norte, a outra dos Midlands do Sudoeste, enquanto a sua origem não era possivelmente de nenhuma das regiões.(80) Este achado poderá também ser verdade para o agrupamento de manuscritos de Nuvem, bem como para Castigo, e a sua origem comum pode ter sido escrita em East Anglian, atenuado pelo dialecto de Oxford.


X. Escada da Perfeição de Walter Hilton

A Escada da Perfeição de Walter Hilton é semelhante a A Nuvem do Desconhecimento e, no entanto, muito diferente.(81) É possível que ambos os autores tenham escrito para uma anacoreta à altura de ler os seus textos.(82)Que parte de Hilton e parte de Julian se encontrem no Manuscrito de Westminster é indicativo de tal relação.(83) Na verdade, Edmund College e James Walsh colocaram a questão de quem copiou quem, quanto à expressão "All schal be wel" ('Tudo será bom') em Escada da Perfeição, Parte Dois, e em Revelação de Amor de Julian de Norwich.(84) Tal como o Eremita Augusstin , William Flete, Walter Hilton estudou em Cambridge, 1357-82, começando então os seus estudos em direito canónico, antes de se tornar num Cónego Austin em Thurgarton, cerca de 1386.(85) Sentiu-se atraído pela vida solitária, escrevendo ao seu amigo Adam Horsely sobre o assunto antes de Adam ter entrado para a Cartuxa de Beauvale.(86) Além disso, escreveu a sua obra principal, A Escada da Perfeição, os Oito Capítulos sobre a Perfeição, derivada de um livro "founde in Maister Lowis de Fontibus booke at Cantebrigge" ('encontrado num livro de Mestre Luís de Fontibus, em Cambridge'), uma obra possuída ou escrita por Luís de Fontibus, um Franciscano Aragonês, estudando em Cambridge em 1383, que discute a distinção entre verdadeira e falsa 'liberdade' de espírito, a Epistola ad Quemdam Saeculo Renuntiare Volentem, aconselhando o seu amigo secular a não se tornar num religioso de clausura, o tratado sobre O Tratado sobre a Vida Mixta, e um comentário ao Salmo 90, Qui Habitat, que aparece no manuscrito da Catedral de Westminster juntamente com o Salmo 91, Bonus Est, que pode não ser uma obra sua mas que, tradicionalmente é tida, por exemplo, por Rabi David Kimhi, cuja obra Adam Easton conhecia e possuía, como o Salmo que Adão disse quando foi Criado.(87)

Walter Hilton escreveu A Escada da Perfeição em duas partes, separadas uma da outra, separação que se reflecte nos manuscritos.(88)Parte Um, traduzindo, começa, "Ghostly sister in Jesus Christ, I pray thee that in the calling which our Lord hath called thee to His service, thou hold thee paid and stand steadfastly therein".(89) ('Irmã espiritual em Jesus Cristo, peço-vos que na vocação a que nosso Senhor vos chamou ao Seu serviço, vos considereis paga e permaneçais firme nela') No Capítulo 60, escreveu sobre padres, clérigos e leigos, viúvas, esposas e raparigas como absolutamente capazes de serem servos de Deus no seguimento da vocação à perfeição.(90) No Capítulo 83, afirma, "although you are an enclosed anchoress and unable to leave your cell to seek opportunities of helping your fellow-men by acts of mercy, you are still bound to love them all in your heart, and to show clear signs of this love to all who come to you".(91)('Embora sejais uma anacoreta enclausurada e impossibilitada de sair da vossa cela para procurar oportunidades de ajuda aos homens através de actos de misericórdia, estais no entanto obrigada a amá-los a todos do coração e a mostrar sinais claros desse amor a todos quantos vos procuram') Termina com a imagem da Epístola de Paulo aos Gálatas 4, 19, onde Paulo se compara em relação com o seu rebanho, a uma mulher que dá à luz "'Filiolo, quos iterum parturio donec Christus formetur in vobis'. My dear children, which I bear as a woman beareth a bairn until Christ be again shapen in you".(92) ('Filhinhos, por quem sinto as dores de parto até que Cristo esteja formado em vós')

O autor de A Nuvem do Desconhecimento parece ter-se referido a A Escada da Perfeição, Parte Um, com aprovação,(93) onde Hilton recomendava à sua anacoreta que lesse livros em vernáculo porque não seria capaz de entender as Escrituras em Latim, mas o autor de Nuvem pode igualmente ter-se referido a passagens tais como De Institutione Inclusorum(94) de Aelred de Rielvaulx e a Ancrene Wisse(95), e aos seus comentários acerca de ser desejável que as anacoretas lessem livros, onde o autor de Nuvem afirma,

Neuerþeles menes þer be in þe whiche a contemplatif prentys schuld be ocupyed, þe whiche ben þeese; Lesson, Meditacion & Oryson. Or elles to thyn vnderstondyng þei mowe be clepid: Redyng, þynkyng & Preiing. Of þeese þre þou schalt fynde wretyn in anoþer book of anoþer mans werk moche betyr þen I can telle þee.(96)
 

Não obstante, meios existentes para que um aprendiz contemplativo se ocupe, e são eles: Leitura, Meditação e Oração. Ou em algo a que a sua compreensão os chame a moverem-se: Leitura, pensamento e Oração. Destes três encontrareis escrito noutro livro, obra de outro autor, muito melhor do que vos posso dizer.

Além de responder a Remédios Contra as Tentações de William Flete (que também está incorporado no Castigo dos Filhos de Deus), na altura em que escreveu a segunda parte de Escada da Perfeição, Hilton tinha encontrado já A Nuvem do Desconhecimento, cujo Pseudo-Dionisianismo desafiou. Ao fazê-lo, na Escada da Perfeição, Parte Dois, não mais estava a escrever para uma anacoreta mas par uma audiência mais geral e masculina desta comunidade de textos. O autor de Nuvem, acentuou o secretismo e a exclusividade; tanto Hilton como Julian parecem ter-se revoltado contra tal enfase, escrevendo para os seus "euyn-cristens" ('Cristãos-quaisquer'). O autor de Nuvem escreveu em privado para a sua "Ghostly Friend" ('Amiga espiritual'), Julian de Norwich escreveu a sua Revelação de Amor como serva de Deus, com generalidade e generosidade, para todos os que Amam Deus. Como canonista, o trabalho de Hilton em Thurgarton, em 1387, foi fazer campanha contra o Wycliffismo, acerca do qual escreveu Conclusiones de Imaginibus.(97)  Igualmente, talvez se tenha oposto ao iconoclasmo Pseudo-Dionisiano, por hipótese tendo consciência da sua potencial relação com o Lollardismo e, mesmo, com a Reforma. Tanto Hilton como Julian aderiram à contemplação da Natividade e da Crucifixão. Julian iniciou o seu primiero Texto de Westminster em 1368, começando, em primeiro lugar, por fazer eco ao tom de inclusão da Oração do Senhor, "{OUr gracious & goode/ lorde god" ('{Nosso gentil e bom Senhor Deus'), e escreveu no amargo final do Texto Pequeno de 1413, na altura da Revolta Lollard de Sir John Oldcastle, o termo Lollard "And to our. Even christen. Amen." ('E a todos os nossos. Quaisque cristãos. Amen')

XI. Anacoreta e Cardial

Esteve Julian no centro duma controvérsia, duma comunidade de textos, e foram estes textos escritos para ela e sobre ela?(98) Aprendeu ela a contemplação através de livros da autoria de dois eruditos de Cambridge e Oxford, John Whiterig e Adam Easton, de William Flete e Walter Hilton? E troçou dos seus ensinamentos? Estes textos, Remédios Contra a Tentação de William Flete na sua tradução, talvez A Nuvem do Desconhecimento e o agrupamento de textos que se lhe associam e, seguramente, o anónimo Castigo dos Filhos de Deus e Escada da Perfeição de Walter Hilton, Parte Um, foram dirigidos a uma anacoreta ou mulher monástica de clausura, como leitoras. Obras semelhantes foram também dirigidas a homens e igualmente lidas tanto por homens como por mulheres. Quando escritos para homens, estavam em Latim. Mas as mulheres precisavem de ler no Inglês vernáculo, não tendo estudos como os homens, não tendo o privilégio do Latim e, por isso, os textos foram traduzidos para elas. Cristo tinha dito, "Se queres ser perfeito, vende o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me" (Mt 19, 21).  O Cristianismo escutou este chamamento como dirigido aos homens e às mulheres que desejavam viver a vida perfeita. Nestas circunstâncias, surgem estes textos com autoridade e  capacidade prescritiva, inscritos por homens (talvez como Perfectio Vitae Spiritualis do Cardeal Adam Easton, que foi perdida), lidos como Moisés firmemente entregando a Lei vinda do Monte Sinai. Embora, por vezes, eles possam, como em Nuvem do Desconhecimento, ser jocosos e falar em tom de irmão, como se fossem Aarão a conversar com Miriam.  Quando os homens escrevem em vernáculo, assinalam paternalisticamente que as suas leitoras femininas são 'iletradas' no Latim, não estudaram e que eles fazem isto como um favor a elas. Nos textos em contraponto, escritos por mulheres, Espelho das Almas Simples de Marguerite Porete, Revelationes de Birgitta da Suécia A Revelação de Amor de Julian de Norwich, e talvez Livro de Margery Kempe, todos eles escritos em Middle English, podemos escutar o alegre e espontâneo louvor de Deus, tal como foi cantado por Miriam e os outros Hebreus, nas margens do Mar Vermelho.

XII. Conclusão

Não foi senão tarde, nesse dia, que tomei consciência da identidade do Cardeal vestido de escarlate na pintura do Paradiso, de Sta. Birgitta e do seu séquito, agora em San Marco, Florença. Ele reaparece em iluminuras de manuscritos e em gravuras posteriores, bem como adornando as pinturas, as Sagradas Conversações, acerca de Sta.Birgitta e das suas Revelationes. Ele aparece, com o seu barrete cardinalício, ao lado do Papa; por trás de ambos, o Bispo Eremita Alfonso de Jaén, todos do lado direito de Birgitta, na gravura abaixo. Ele é o nosso próprio Beneditino Inglês, Adam Easton de Norwich, Oxford, Avinhão e Roma, que, oriundo duma classe trabalhadora, acabou por ser enterrado na sua basílica titular de Santa Cecilia no Trastevere em Roma, num magnífico túmulo em mármore, esculpido com o seu barrete e borlas cardinalíceos e as armas reais de Inglaterra. Ele era um apaixonado de livros teológicos e de escritos de mulheres, que tinha possuído os escridos do Pseudo-Dionísio, de Orígenes, de Rabi David Kimhi e dos Vitorinos; que forjou a canonização de Birgitta da Suécia, e que conheceu também Catherine of Siena e o seu director espiritual e executor, o membro Inglês do seu Cenacolo, William Flete. Adam Easton pode ter muito bem sido o próprio director espiritual de Julian de Norwich, traduzindo e escrevendo para ela os tratados perdidos sobre a vida espiritual da perfeição em Inglês vernáculo, que até agora têm parmenecido tão escondidos numa Nuvem de Desconhecimento, que nem o seu autor, nem a sua audiência eram possíveis de encontrar. É mesmo possível que ele fosse irmão dela.



Notas

1. Brian Stock, Implications of Literacy: Written Language and Models of Interpretation in the Eleventh and Twelfth Centuries (Princeton: University Press, 1983).

2. William Flete, "Remedies Against Temptations: The Third English Version of William Flete", ed. Eric Colledge e Noel Chadwick, Archivio Italiano per la Storia de la Pietà 5 (Roma, 1968).

3. The Cloud of Unknowing and The Book of Privy Counselling ("Here Bygynniþ a Book of Contemplacyon þe whiche is clepyd þe Clowde of Vnknowyng in þe whiche a Soule is onyd wiþ God"), ed. Phyllis Hodgson (London: Oxford University Press, 1944), Early English Text Society (EETS) 218, p. 13; Deonise Hid Divinite and Other Treatises on Contemplative Prayer Related to the Cloud of Unknowing, A Treatyse of þe Stodye of Wysdome þat men clepen Benjamin, A Pistle of Preier, A Pistle of Discrecioun of Stirings; A Tretis of Discrescyon of Spirites, ed. Phyllis Hodgson (London: Oxford University Press, 1955), EETS 231. Henceforth I cita o volume, paginação e numeração de linha no texto e notas de rodapé de EETS.

4.The Chastising of God's Children and The Treatise of the Perfection of the Sons of God, ed. Joyce Bazire e Eric Colledge (Oxford: Blackwell, 1957).

5. Walter Hilton, The Scale of Perfection, ed. Evelyn Underhill (London: Watkins, 1923); trad. John P.H. Clark e Rosemary Doreward (New York: Paulist Press, 1991).

6. Colledge e Chadwick, "Remedies Against Temptations, pp. 207-210. O texto fala também dos acontecimentos da Paixão, não nos Evangelhos, mas "daquele que foi revelação de Deus feita a uma pessoa religiosa".

7. Chastising, ed. Bazire e Colledge, pp. 44-48.

8. Hilton, Scale, ed. Underhill, p. 1; trad. Clark e Doreward, p. 54, aponta para que as variações no texto são "Gostely syster/brother/brother or suster" ('Irmã/irmão/irmão ou irmã espiritual'), indicativo dos géneros masculino e feminino serem intercambiáveis.

9. The Cell of Self-Knowledge: Seven Early English Mystical Writers printed by Henry Pepwell MDXXI, ed. Edmund G. Gardiner (London: Chatto & Windus 1910), pp. 88, 95, 102 e passim. Irmã Anna Maria Reynolds, C.P., transcreveu e comparou os manuscritos da Revelação de Amor de Julian de Norwich, exceptuando os de Upholland e Gascoigne, para as suas Teses na Universidade de Leeds, 1947, 1956 (1947: S1, comparado com S2; 1956: A,P, comparado com SS,W). Estamos actualmente a co-editar e a traduzir todos estes manuscritos para publicação (A,P,W, comparados com S1,S2,U,G). A presente edição é A Book of Showings to the Anchoress Julian of Norwich, ed. Edmund Colledge, O.S.A. e James Walsh, S.J. (Toronto: Pontifical Institute of Mediaeval Studies, 1978), 2 vols. (A,P, comparado com W,SS); A Revelation of Love, ed. Marion Glasscoe da Biblioteca Britânica, Sloane 2499 (Exeter: University de Exeter, 1976, 1986, 1993) (S1); Julian of Norwich's Revelations of Divine Love: The Shorter Version Ed. from B.L. MS. 37790, ed. Francis Beer (Heidelberg: Carl Winter, 1978) (A), enquanto Edward P. Nolan publicou a minha anterior transcrição de W em Cry Out and Write: A Feminine Poetics of Revelation (New York: Continuum, 1994), pp. 141-203. Nicholas Watson, "The Composition of Julian of Norwich's Revelation of Love" Speculum 68 (1993), 637-683, "Censorship and Cultural Change in Late-Medieval England: Vernacular Theology, the Oxford Translation Debate, and Arundel's Constitutions of 1409", Speculum 70 (1995), 822-864, data o Texto Pequeno de Julian como mais tardio do que previamente se pensava, mas não tão tardio como 1413, embora as suas teses concordassem com a datação do manuscrito de Amherst. Irmã Anna Maria Reynolds, C.P. e eu, estamos actualmente a co-editar, com a tradução na página em face, as três versões manuscritas, A, W, P, comparando-as com todos os manuscritos conhecidos.

10. The Book of Margery Kempe, ed. Sanford Brown Meech e Hope Emily Allen (London: Oxford University Press, 1940), EETS 212, pp. xxxiii-xxxv.

11. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 204. Enquanto uma outra atribuição, a  "St Richard of Hampole", será considerada válida por Padre Augustine Bakere e pelas Monjas Beneditinas no exílio a quem ele dirigia espiritualmente, resultando em Showing of Love de Julian em manuscritos, juntamente com o texto de Flete, mas atribuído a Rolle, como no caso de Colwich H18, escrito pela mão de Bridget More, descendente de Thomas More, p. 215.

12. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 221.

13. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", pp. 223-4.

14. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 228.

15. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", pp. 230-1.

16. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 232.

17. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 238.

18. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 222.

19. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 223.

20. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 226.

21. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 227.

22. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 230.

23. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 233.

24. Colledge e Chadwick, "Flete's Remedies", p. 235.

25. Tenho tendência em aceitar a suspeita de Phyllis Hodgson e a convicção de Roger Ellis, de que o autor de Cloud não apenas foi o autor do Vitorino Benjamin Minor, embora o Psedo-Dionísio estivesse profundamente entranhado na exegese Vitorina.  Veja-se Roger Ellis, "Author(s), Compilers, Scribes, and Bible Texts: Did the Cloud-Author translate The Twelve Patriarchs?" The Medieval Mystical Tradition in England: Exeter Symposium V, ed. Marion Glasscoe, pp. 193-94.

26. O vocabulário do manuscrito, claramente se parece com o dos manuscritos de Showing of Love de Julian, Sloane, 'arn' em vez 'be', e palavras como 'behouely,' 'woo', 'travail', 'sekir'. Engloba textos escritos em Médio Inglês destinados a uma mulher consagrada como anacoreta ou noutra forma de vida perfeita. Utiliza letras maiúsculas iluminadas em ouro sobre púrpura, copiando as Bíblias escritas em tempos anteriores, por monjas Inglesas a pedido de S. Bonifácio.

27. Anne Hudson, The Premature Reformation: Wycliffite Texts and Lollard History (Oxford: Clarendon Press, 1988), p. 222.

28. A Book of Contemplation the Which is Called the Cloud of Unknowing, In the Which a Soul is Oned with God, ed. Evelyn Underhill (London: Watkins, 1912), pp. 7-9. Relativamente a tal comportamento mundano, veja-se em especial o Capítulo 8, p. 97. No Capítulo 73, p. 307, ele diz ao leitor que alcance na vida por ele, aquilo que falta na sua própria vida. Dom David Knowles, The English Mystics (London: Burns, Oates e Washbourne, 1927), p. 91, cita da edição de Dom Justin McCann's 1924 de The Cloud of Unknowing, p. xii.

29. The Ancrene Riwle, trad. Mary B. Salu (London: Burns e Oates, 1955), p. 11. Veja-se também The Myroure of oure Ladye, ed. John Henry Blunt (London: Trübner, 1873), EETS, Extra Series, 29, que igualmente demonstra como o Latim dos Ofícios liturgicos pode ser vertido em Médio Inglês para benefício das mulheres, no caso, as monjas Brigitinas da Abadia de Syon.

30. Entre elas Epifania, Candelária, Annunciação, Domingo de Páscoa, Quinta-feira Santa, Midsummer, Sta. Maria Madalena, Assunção, Natividade, São Miguel, Todos-os-Santos, St. André, Ancrene Riwle, trad. Salu, p. 182.

31. Aelred of Rievaulx, De Institutione Inclusarum, ed. John Ayto e Alexandra Barrett (London: Oxford University Press, 1984), EETS 287:1.5-6.

32. Aron Andersson e Anne Marie Franzen, Birgittareliker (Stockholm: Alqvist e Wiksells, 1975), pp. 54-55.

33. The English Text of the Ancrene Riwle: Ancrene Wisse, Edited from the Corpus Christi College, Cambridge MS 403, ed. J.R.R. Tolkien (London: Oxford University Press, 1962), EETS 249:63.12-15 e passim.

34. Hilton, Scale, ed. Underhill, p. 1.

35. Cloud, ed. Hodgson, EETS 218:13; ed. Underhill, pp. 7-9. Showing of Love de Julian, W84v, P42v,46,56, A105.12, igualmente destaca a coroa da vida, tirado de Filipenses 4, 1.

36. Comparar com Ancrene Riwle, trad. Salu, pp. 183-184; Julia Bolton Holloway, Saint Bride and her Book: Birgitta of Sweden's Revelations, pp. 41-50, para a utilização estranha de formas masculinas na história de Marta e Maria traduzida em Médio Inglês por um irmão Brigitino de Syon.

37. O Cardeal Adam Easton, defendendo a maior capacidade que têm as mulheres em verem e ouvirem 'visões' que os homens, citou este texto aquando da defesa da cononização de Birgitta da Suécia: Lincoln 114 (agora na Universidade de Nottingham), fol. 27v, observando que Maria Madalena foi a primeira a ver Cristo ressuscitado e que anunciou o facto na qualidade de Apóstola dos Apóstolos. Também cita as quatro virgens profetas, filhas de Filipe, e Santas Inês, Ágata e Cecília, enquanto os seus exemplos masculinos são os de S. Tomé que duvida, da traição de S. Pedro na visão de 'Quo Vadis' em Roma, fols. 28-28v.

38. 2 Samuel 7, 18-22, 1 Crónicas 29, 10-20, em Orígenes, On Prayer, XXXIII.3, ed. Eric George Jay (London: S.P.C.K., 1954), p. 218.

39. John Whiterig, The Monk of Farne: The Meditations of a Fourteenth-Century Monk, ed. Hugh Farmer, O.S.B., Studia Anselmiana 41 (1957); trad. A Benedictine of Stanbrook, p. 26.

40. Adam Easton possuía as Homílias sobre o Levítico de Orígenes, a Homilia IV usando este exemplo, "sed fimbriam tetigit vestimenti", Patrologia cursus completus series Graeca, ed. J.P. Migne, 12.443A. O texto original Grego perdeu-se, o Latino sobreviveu.

41. Ann Savage e Nicholas Watson, Anchoritic Spirituality: Ancrene Wisse and Related Works (New York: Paulist Press, 1991), p. 34, chamam a atenção de que as anacoretas de Deerfold não precisavam de que se lhes traduzisse as orações em Latim e as citações dos Padres, pois que as tinham inseridas ao longo de todo o texto de  Ancrene Wisse.

42. Eileen Power, "Nunneries", Medieval Women (Cambridge: Cambridge University Press, 1975), ed. M.M. Postan, pp. 96-97; Julia Bolton Holloway, Equally in God's Image: Women in the Middle Ages, ed. Julia Bolton Holloway, Joan Bechtold, e Constance S. Wright (Berne: Peter Lang, 1990), passim, observou que a perda do conhecimento do Latim entre as mulheres religiosas coincidiu com o surgie das Universidades que apenas admitiam e treinavam homens até ao século vinte.

43. Cambridge University Library Ii.III.32. A invocação da Trindade neste manuscrito, tem um T Gótico iluminado, entrelaçado a folha de ouro, fol. 108v. A sua cota de prateleira no Priorado da Catedral de Norwich é "X ccxxviii", a mais elevada cota de prateleira existente para os livros da biblioteca de Adam Easton que vieram de Roma para Norwich quando da sua morte em seis caixotes, mas que também já tinham viajado entre Norwich e Oxford durante a sua pregação numa cidade e o seu esino na outra, durante os anos de formação de Julian.

44. Whiterig, Monk of Farne, ed. Farmer; trad. Benedictine of Stanbrook, p. 129.

45. Cloud, ed. Hodgson, EETS 218:125; trad. como The Cloud of Unknowing and Other Treatises, With a Commentary by Father Augustine Baker, O.S.B., ed. Dom Justin McCann (London: Burns, Oates e Washbourne, 1943), pp. 93-94.

46. Esta invocação é semelhante também ao texto quase Gnóstico de Espelho das Almas Simples de Marguerite Porete, que está no mesmo manuscrito on se encontra o Texto Pequeno de Julian, e que pode reflectir o conteúdo da biblioteca de livros contemplativos de Julian, talvez oferecidos por Adam Easton. Sobre Sabedoria, entre outros textos, veja-se Joan Nuth, Wisdom's Daughter: The Theology of Julian of Norwich, Asphodel P. Long, In A Chariot Drawn by Lions: The Search for the Female in Deity (London: Women's Press, 1992).

47. Gerard Sitwell, Introduction to The Ancrene Riwle, trad. Salu, p. x, afirma "A Nuvem do Desconhecimento aparentemente não foi escrita para uma anacoreta, mas é uma peça importante deste grupo de escritos e lida com esta experiência desde o início"; Marion Glasscoe, English Medieval Mystics: Games of Faith (London: Longman, 1993), pp. 167-172, segue a opinião recebida de que o discípulo é masculino.

48. The Mirror of Simple Souls: By an Unknown French Mystic of the Thirteenth Century, ed. Clare Kirchberger (London: Burns, Oates e Washbourne, 1927), p. xxix, "We cannot determine with any exactness who was the author of the Mirror, nor has anything further come to light since Miss Underhill, in 1911, conjectured that he may have been a secular priest or a Carthusian living on the borders of Flanders and France in the last third of the thirteenth century", and p. xxxii, "The boldness and humour of the Fleming seems to have pleased his censors, and their verdict appears to have satisfied him".

49. Þe Book of Priue Counseling, ed. Hodgson (EETS 218:136); Mirror of Simple Souls, Biblioteca Britânica, Add. 37,790 (A145,151v) e passim; ed. Kirchberger, p. 51 e passim.

50. Book of Priue Counseling, ed. Hodgson, EETS 218:135-6.

51. Cloud, ed. Hodgson, EETS 218.l-li, afirmando que MSS Kk, Har2, Ro1, U, Ro3 são todos mais Escandinavos, i.e. com conexões com  East Anglian, do que o texto base escolhido, Har1, segundo a teoria de Har1 representar a língua do original. Eric Colledge, The Mediaeval Mystics of England (London: Murray, 1962), p. 75: Oxford, University College 14 contém uma nota à margem observando que parte do The Cloud deriva de Of Reading (Scale of Perfection) de Hilton.

52. Cloud, ed. Hodgson, EETS 218: Biblioteca Britânica, MS Royal 17 D v (Ro3), fol. 59, "Here folowen dyuerse doctrynys deuowte and fruytfulle taken owte of the lyfe of that glorious virgyn and spowse of our Lorde Seynt Kateryne of Seenys"; Oxford, University College 14, que tem características de  East Anglian, no fol. 56v conclui com "doctrine schewyde of god to seynt Kateryne of seene. Of tokynes to knowe vysytacions bodyly or goostly vysyons whedyr þei come of god or of þe feende", que é precisamente o material usado pelo Bispo Eremita Alfonso de Jaén e pelo Cardeal Adam Easton nas suas defesas de Sta. Birgitta da Suécia e que influenciaram Sta. Catarina de Sena.

53. Porete, Speculum Animarum Simplicium, trad. Richard Methley: Pembroke College, Cambridge, 221.

54. James Grenehalgh anotou British Library, Harleian 2373, Harleian 6576, Royal 5.A.v, Add. 24,661, Add. 37,790; Cambridge, Emmanuel College I.ii.14, Trinity B.15.18; Oxford, Bodleian Library, Douce 262; Michael G. Sargent, James Grenehalgh as Textual Critic (Salzburg: Institut für Anglistik und Amerikanistic Universität Salzburg, 1974), Analecta Cartusiana 10.

55. Cloud, ed. McCann, pp. 152-153; ed. Hodgson, EETS 218:xix, l. A Abadia de Stanbrook ainda possui dois manuscritos destes textos, medindo 4" x 6", da sua casa de Cambrai onde o Padre Baker tinha sido seu director espiritual, 1624-1633. Enquanto o manuscrito de Upholland de Julianf foi também transcrito em Cambrai por estas mesmas monjas. Os meus agradecimentos a Dona Eanswythe Edwards, O.S.B., Abadia de Stanbrook, por esta informação. Hodgson, EETS 218:xix, fn, afirma que o manuscrito de Ampleforth foi transcrito em 1677 "out ye Cambray copy of 1648, which was taken out of the old copy that was transcribed, 1582" e ainda que foi tirado "out of ye copy of Cambray, being a little thin Octavo, with parchment covers". O manuscrito de Stanbrook é de 1648. O manuscrito de 1582 teria sido contemporâneo do Texto Longo de Paris, de Julian e, portanto, um texto de Syon ou Sheen. Veja-se John Rory Fletcher, The Story of the English Brigittines of Syon Abbey (Devon: Syon Abbey, 1933), p. 59, acerca das monjas de Syon escondidas em Inglaterra, desejando publicar The Scale of Perfection nessa altura.

56. "Sed et tu, IESU, bone domine, nonne et tu mater? An non est mater, qui tamquam gallina congregat sub alas pullos suos? Vere, domine, et tu mater", etc., S. Anselmi Cantuarensis archiepiscopi Opera Omnia, ed. Franciscus Salesius Schmitt (Edinburgh: Nelson, 1956), III.40; 'And you, Jesus, are you not also a mother?/Are you not the mother who, like a hen,/gathers her chickens under her wings?/ Truly, Lord, you are a mother;/for both they who are in labour/ and they who are brought forth/ are accepted by you', Prayers and Meditations of St Anselm, trad. Irmã Benedicta Ward, S.L.G., p. 152-53; Pelphrey, Christ our Mother, p. 163; Grace M. Jantzen, Julian of Norwich: Mystic and Theologian, p. 114; Origen, Homily XII on Leviticus (possuído em manuscrito por Adam Easton), Patrologia cursus completus series Graeca, 12 (1857), 543: citing Galatians 4.19, "Donec formetur Christus in vobis".

57. Ritamary Bradley, Julian's Way: A Practical Commentary on Julian of Norwich (London: Harper Collins, 1992), p. 142; Mas uma correspondência muito menos forte se pode encontrar na seguinte passagem de Ancrene Riwle (trad. Salu, p. 175):

"Can a mother", He says "forget her child? And even if she could, I can never forget you. "I have painted you", He says "in my hands". People tie knots in their belts to remind them about things, but our Lord, because He wished never to forget us, put nails of piercing in both His hands, to remind Him of us.
58. Whiterig, Monk of Farne, ed. Farmer, trad. Benedictine of Stanbrook, p. 64. John Whiterig cita de Hugh of St Victor, De arrhâ animae, pp. 104, 109, e fala de "God's Friends", p. 97. Na p. 129, na "Meditation upon Angels", Whiterig afirma "My opinion would, however, appear to be contradicted by what Denys the Areopagite together with St Gregory, hold to be true".

59. Linda Georgianna, The Solitary Self, p. 134; Flete, "Remedies against Temptations", ed. Colledge e Chadwick, . p. 205.

60. Chastising, ed. Bazire e Colledge, p. 91.

61. Chastising, ed Bazire e Colledge, p. 146, fols. 42-42v, "þou3tis of predestination and of þe prescience of god, of the which metier I drede soore to write, for þese termes han oþer sentence in latyn þanne I can shewe in ynglisshe . . . [God's] prescience, þat is to seie on ynglisshe his forknowynge", um termo que Julian repete, também encontrado na cópia manuscrita Italiana de Adam Easton, de Cambridge, Corpus Christi College 74, Berangarius episcopus Bisirrensis, 'Presciencia', fol. 195/CXCVv, onde se discute de modo semelhante como conhecimento do futuro e no contexto da liberdade da vontade. Easton provavelmente adquiriu este dito manuscrito enquanto estava na Itália, depois do seu tempo de pregação em Norwich e de ensinar em Oxford.

62. Chastising, ed. Bazire e Colledge, p. 35.

63. Chastising, ed. Bazire e Colledge, ed., p. 46.

64. John Bale, Index Britanniae Scriptorum, ed. Reginald Lane Poole e Mary Bateson (Oxford: Clarendon, 1902, p. 6; John Bale também diz que Easton escreveu De communicatione ydiomatum. Veja-se também John Bale, Scriptorum illustrium maioris Brytannie, quam nunc Angliam et Scotium vocant: Catalogus (Basle: Opinorum, 1557-1559).

65. The Orcherd of Syon, ed. Phyllis Hodgson e Gabriel M. Liegey (London: Oxford University Press, 1966), Early English Text Society 258, p. vii; Jane Chance, 'St Catherine of Siena in Late Medieval Britain: Feminizing Literary Reception through Gender and Class', Annali d'Italianistica 13 (1995), 176; Elizabeth Psakis Armstrong, "Informing the Mind and Stirring up the Heart: Katherine of Siena at Syon", Studies in St Birgitta and the Brigittine Order, ed. James Hogg (Salzburg: Institut für Anglistik und Amerikanistik Universität Salzburg, 1993) 2: 170-198, esp. 189-193, sobre a relação mútua dos textos de Catarina e Julian. Cristofano Di Gano, secretário de Catarina de Sena, também tinha Revelationes de Birgitta traduzidas em Italiano Sienês, em 1399, em dois magníficos volumes manuscritos iluminados, ainda hoje em Siena, Biblioteca Communale degli Intronati, I.V.25/26.

66. Rosalynn Voaden, "The Middle English Epistola Solitarii ad Reges of Alfonso of Jaén: An Edition of the Text in British Library MS. Cotton Julius F ii", Studies in St. Birgitta and the Brigittine Order, 1: 144, precisando a proveniência de Norfolk, do manuscrito; F.R. Johnston , "English Defenders of St. Bridget", 1:263-275 (contudo, em ligação com p. 265, Hamilton 7 é de proveniência Sueca e Lincoln 114 também pode ser); James Hogg, ''Cardinal Easton's Letter to the Abbess and Community of Vadstena", 2: 20-26.

67. Siena, Biblioteca degli Intronati, I.V.25/26; Julia Bolton Holloway, "Saint Birgitta of Sweden, Saint Catherine of Siena: Saints, Secretaries, Scribes, Supporters,"Birgittiana 1 (1996), 29-45.

68. Siena, Biblioteca degli Intronati, C.XI.20. Enquanto em Florença se encintra uma tradução em Florentino dos princípios do século quinze, de Espelho das Almas Simples de Marguerite Porete, o seu início e final contendo, pela mesma letra, extractos de Orígenes, um deles sobre as mulheres no Génesis, com toda a probabilidade produzido no contexto Brigitino do Paradiso e, possivelmente, derivado do forte interesse de Adam Easton por Orígenes (que escreveu para mulheres), e em mulheres teólogas, Biblioteca Riccardiana 1468.

69. Cloud, ed. Hodgson, EETS 218:13-14.

70. O tratado de astronomia de Adam Easton sobrevive em Cambridge University Library Gg.VI.3, Norwich Cathedral Priory cota de prateleira C clxx, e Cambridge, Corpus Christi College, 347, a de Cambridge contendo também os seus desenhos da Catedral de Norwich, Castelo de Norwich; Cloud, ed. Hodgson, EETS 218:17.15-18.5; ed. McCann, p. 8, apresenta uma nota interessante de um manuscrito de Cambridge; o Italiano ainda usa "attimo" "toc", para falar da medição do tempo.

71. Leslie John McFarlane, "The Life and Writings of Adam Easton, O.S.B." University of London, Ph.D. Thesis, 1955, pp. 36-48. Lembramos que Easton traduziu a Bíblia do Hebreu para o Latim entre muito mais, "ac Biblia tota ab hebreo in latium transtulisse," John Bale diz-nos, Index Britanniae Scriptorum, p. 6.

72. MacFarlane, "Adam Easton, O.S.B.", pp. 102, 137, 166, 205.

73.Cloud, ed. Hodgson, EETS 218:20

74. "After this our lorde seyde: I thangke the of thy servys and of thy travelle of thy yowyth", P29, "aftyr this oure lorde sayd. I thanke the of thy servyce & of thy trauayle, & namly in þi 3ough", A102v.

75. Maika J. Will, "Dionysian Neoplatonism and the Theology of the Cloud Author", Downside Review, 110:379 (1992), 98-109.

76. Chastising, ed. Bazire e Colledge, pp. 44-48.

77. Carleton Brown, "The Prioress's Tale", Sources and Analogues of Chaucer's Canterbury Tales, ed. W.F. Bryan e Germaine Dempster, pp. 447-487; Julia Bolton Holloway, "Convents, Courts and Colleges: The Prioress and the Second Nun", Equally in God's Image: Women in the Middle Ages, ed. Holloway, Bechtold e Wright, pp. 198-215.

78. A Dra. Veronica O'Mara, Universidade de Hull, está a publicar uma monografia com a Universidade de Leeds, sobre as homilias Brigitinas/Beneditinas, na Biblioteca da Universidade de Cambridge, Hh.1.11; manuscrito descrito por Edmund Colledge e Noel Chadwick em "William Flete's Remedies Against Temptations", pp. 206-208.

79. Cloud, ed. Hodgson, EETS 218:l.

80. Joyce Bazire, "The Dialects of the Manuscripts of The Chastising of God's Children" English and Germanic Studies 6 (1957), 64-78.

81. Veja-se John P.H. Clark, "'The Lightsome Darkness' - Aspects of Walter Hilton's Theological Background", Downside Review 95 (1977), 95-109. Temos excelentes edições da Early English Text Society de Ancrene Wisse/ Riwle e The Cloud of Unknowing e textos relacionados; mas falta-nos ainda tais edições para Scale of Perfection de Walter Hilton e  Showing of Love de Julian de Norwich (Michael Sargent está a acabar a edição da Parte Um de M.G. Bliss, S.S. Hussey editando Parte Dois, de The Scale of Perfection para EETS): Hilton Scale, trad. Clark e Dorward, p. 53.

82. Tanto a edição impressa de 1494 e John Bale, copiando esta informação, Index Britanniae Scriptorum, p. 106, pensavam que Walter Hilton era um Cartuxo; ambos apresentam o início de Scala Perfectionis escrevendo "Ghostly Sister in Christ Jesus, Dilecta soror in Christe Iesu".

83. James Walsh e Eric Colledge, Of the Knowledge of Ourselves and of God, p. xvii, chamam a atenção para que o manuscrito "demonstrates the doctrinal and terminological interdependence of Walter Hilton and Julian of Norwich".

84. Edmund Colledge e James Walsh, "Editing Julian's Revelations: A Progress Report", Mediaeval Studies 38 (1976), 415.

85. John P.H. Clark, "Late Fourteenth Century Theology and the English Contemplative Tradition", The Medieval Mystical Tradition in England: Exeter Symposium V: Papers Read at the Devon Centre, Dartington Hall, 1992, ed. Marion Glasscoe (Cambridge: Cambridge University Press, 1992), pp. 1-16, esp. 3; Hilton, Scale, trad. Clark and Dorward, pp. 14-15; contudo, Wolfgang Riehle, The Middle English Mystics, p. 9, cita cólofon Marseilles 729, "Explicit liber . . . editus a . . . Waltero Hiltonensi Parisius in sacra pagina laureato magistro"; Michael G. Sargent, "The Transmission by the English Carthusians of some Late Medieval Spiritual Writings", Journal of Ecclesiastical History 27 (1976), 236.

86. Biblioteca Britânica, Harley 2406, fólios 58-60v.

87. The Longer Commentary of R. David Kimhi on the First Book of the Psalms, trad R.G. Finch, p. 1, assinala que este Salmo do Sabbath foi pronunciado por Adão no momento da Criação; John P.H. Clark, "Walter Hilton and the Psalm Commentary Qui Habitat" Downside Review 100:341 (1982), 235-262; "The Problem of Walter Hilton's Authorship: Bonum Est, Benedictus, and Of Angels' Song", Downside Review 101:342 (1983), 15-29. Mais material, bibliografia sobre Rabi David Kimhi: home.istar.ca/~glaird/

88. Há 42 manuscritos de Parte Um, 26 de Parte Dois de The Scale of Perfection, tendo a obra sido difundida de forma muito mais vasta que quer  The Cloud of Unknowing ou Showing of Love de Julian. Margaret Beaufort, mãe de Henrique VII, fez com que Wynken de Worde o imprimisse: Hilton, Scale, ed. Clark e Dorward, p. 33. James Grenehalgh anotou a edição impressa, Rosenbach Collection, 484H, com o seu monograma e o de Joanna Sewell.

89. Hilton, Scale, ed. Underhill, p. 226.

90. Hilton, Scale, ed. Underhill, pp. 144-45.

91. Hilton, Scale, trad. Leo Sherley-Price (Harmondsworth: Penguin, 1957), p. 101.

92.Hilton, Scale, ed. Underhill, p. 219.

93. Cloud, ed. Hodgson, EETS 218:71.14-17.

94. Aelred de Rievaulx, Institutione Inclusarum, ed. Ayto e Barrett (London: Oxford University Press, 1984), EETS 287:6.221-222.

95. Ancrene Wisse, ed. Tolkien, EETS 249: 27, 125.

96. Cloud, ed. Hodgson, EETS 218:71.11-16.

97. Clark, "English Contemplative Tradition", ed. Glasscoe, 1992, p. 4.

98. Colledge e Walsh na sua edição, I.45, vêem Julian como muito influenciada por The Cloud of Unknowing e The Scale of Perfection. Os três textos existem numa comunidade de textos. A sua análise cuidadosa por Marion Glasscoe, Medieval Mystics: Games of Faith torna a su contextualização óbvia.


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Julian of Norwich, Showing of Love , definitive edition and translation, Firenze: SISMEL, 2001, available from SISMEL or from Julia Bolton Holloway.

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