Website Julian de Norwich,  A Revelação de Amor e Seus Contextos; Website Folhas de Oliveira  © Julia Bolton Holloway, 1997/2015.

     MÃOS, CORAÇÕES,

                          CENTAUROS, SALMÃO

Noam Chomsky afirma que as línguas se perdem se avós e netos não as puderem falar uns com os outros. O mesmo se pode dizer das artes e ofícios. Sei carpintaria porque o meu pai adoptivo me ensinou antes dos meus oito anos, passando-me 'as mãos' do seu ofício. Por minha vez, passei-as aos meus filhos, construindo-lhes os brinquedos quando eram pequenos. O meu neto, filho do meu primeiro filho, quer também ser carpinteiro. O meu primeiro neto, filho do meu segundo filho, é um génio em computadores. A Carmo, em Lisboa, recorda-me que sou uma avó e que netos e avós se podem encontrar na Web.

A vida é como o salmão a saltar sobre as águas, na Escócia, na Noruega, na Columbia do Norte, no Alasca. Podemos ultrapassar todos os obstáculos, nadar contra a corrente. Podemos aprender com os desafios da natureza, com a sua coragem. Lydia McCauley recorda-nos que os Irlandeses falam do 'salmão da sabedoria'. Barbara Stanton mandou-nos esta caixa pintada, com salmão lá dentro, dos Nativos da América, no Noroeste.

Caixa do Noroeste com Salmão

Não existem linhas rectas neste desenho, não há ângulos rectos, todo ele é feito de curvas de Fibonacci, a partir da observação da natureza. É dentro desta caixa que agora guardo as minhas chaves da biblioteca, chaves para abrir línguas através de dicionários e gramáticas, do Italiano, do Francês, do Português, do Sueco, do Latim, do Grego e do Hebraico, chaves para abrir culturas, especialmente culturas indígenas, partilhando a sua sabedoria, chaves do sentido da vida, chaves para soltar a sabedoria de Deus. E estes livros estão nas prateleiras da biblioteca, prateleiras em madeira que talhei em Agosto, com a flor de lis em ferro forjado à mão, por um ferreiro de Settignano que copiou as que estão na Biblioteca Bodleiana, mas mais bonitas, reproduzindo as curvas da natureza, não os ângulos dos homens. São Bento, ao civilizar a Europa, disse-nos para equilibrar trabalho, estudo, oração, mente e alma, dando-nos o Evangelho de Cristo, ao mesmo tempo que preservava a sabedoria pagã.

Embutido na caixa de som de uma harpa, datada de 2500 A. C., da antiga Suméria, na terceira imagem a partir de cima, figura um burro a tocar uma harpa; na segunda imagem a partir de cima, estão animais que transportam escudelas de comida; em baixo, dragões alados e outras figuras míticas e feeromórficas. Recordam-se de Where the Wild Things Are de Maurice Sendak? Ou do Afro-Americano 'Brer Rabbit and Brer Fox'? Ou dos 'Musicians of Bremen'? Ou do Roman de Renart? As fábulas de animais são histórias que combinam sabedoria com capacidade lúdica. Projectam um discurso perigoso sobre o mundo animal, em vez de o fazer sobre o mundo humano, em face da censura política. Brincando com a verdade. E assim celebrando as festividades do casamento em harmonia, pondo de parte a violência animalesca.

Harpa Sumérica,  2500 A.C., Museu da Universidade de Filadélfia , Filadélfia

Em tempos escrevi sobre este burro a tocar harpa, trazendo-nos o eco de milénios, em Boécio, em Chaucer [Tales within Tales: Apuleius through Time, ed. Constance S. Wright e Julia Bolton Holloway], nas esculturas de igrejas e claustros. Depois, em peregrinação a Clara e Francisco, ao examinar a pintura do sacerdote Ilario da Viterbo na Porziuncola, observei S. Francisco, vestido simplesmente, pregando num púlpito adornado de ricos bordados e brocados entre os quais estão este animais que transportam escudelas de comida que também observamos no segundo painel a partir de cima na antiga harpa Suméria.

Porziuncula, Santa Maria dos Anjos

A Bíblia, Homero, Ésquilo, a cultura Hebraica e a Helénica, todos enaltecem os bordados femininos. E, mais uma vez, fiquei maravilhada com esta continuidade através do tempo, este conhecimento da cultura passado de geração em geração, através de milhares de anos, estabelecendo pontes entre Continentes.

Ghirlandaio mostra-nos a toalha de mesa da Última Ceia com estes mesmos detalhes tecidos à mão, dragões alados e hipogrifos.

Última Ceia, Ghirlandaio, Ognissanti, Florença

Este tecido ainda hoje é feito em Farfa Sabina, em tear manual, este trabalho de bainha aberta ainda hoje é feito no Borgo San Lorenzo [Maria Margheri Manetti, Il Punto Antico (Libreria Editrice Fiorentina, 1999)], este bordado ainda hoje é feito em Assis [Alida Becchetti, Silvana Toppetti, Punto Assisi (Assisi: Editrice Minera, 1999)] . Mas, a menos duma rápida actuação, estas artes, este conhecimento, perder-se-ão. As avós e os avôs, as netas e os netos, precisam de partilhar isto.

No passado as mulheres bordavam, os homens esculpiam estas cenas, pondo em comum gracejos e enigmas. Os animais simbolizavam o corpo e a sua sensualidade, o seu desejo de comer, de prazer, de poder. Gratificação imediata. Fazer pacientemente a imagem deste animais, com arte, com engenho, a mão, os olhos e a mente coordenando e colaborando neste trabalho em pano, em tecido, em madeira, em pedra, significava que estávamos a ficar civilizados em vez de brutalizados, tendo controle sobre o corpo, com a mente e com a alma. As pinturas das cavernas tiveram o mesmo sentido. Do mesmo modo, estes bordados e estes tecidos de brocado feitos em tear manual, celebrando banquetes de nascimento, de nupciais e funerais. E ainda os capitéis esculpidos em pedra em igrejas e claustros de estilo românico, que de modo tão semelhante reúnem dragões alados, burros tocando harpas, cabras tocando flautas de Pã.

Podemos ver aqui, na Catedral de Santa Clara e São Francisco em Assis, o mesmo motivo de dois pavões e um vaso, tidos como símbolo da Eternidade que a Eucaristia nos traz, mas em pedra.

Catedral de São Rufino, Assis

Copiei-os de um chão de mosaico em Murano, pintando-os no tampo duma secretária em verdes e vermelhos, e bordando-os, voltando às cores da terra do mosaico original. Tendo em conta o simbolismo contido neste desenho especial de pavões em torno de um vaso, representando a Eternidade e a Eucaristia, esta toalha cobre a minha mesa de oração.

Estes desenhos muito artísticos, utilizando formas animais, foram a nossa terapêutica, a nossa cura do trauma e do terror. Mesmo na Atenas pagã, a civilizadora serenidade de Apolo e de Atenas no Partenon, desfaz a violência da festa de casamento invadida por centauros lúbricos e sodomitas em busca duma gratificação imediata. Destes contos, eventualmente, pode surgir um S. Francisco convertendo o lobo de Gubbio. No Hebraico, yod é a letra mais pequena e significa 'mão', e é a primeira letra do nome de Deus. S. Francisco dirigiu louvores a Deus, proclamando 'Tu és Humildade'. Precisamos de ser como Deus em humildade, a pé, de sandálias; a forma de menos nos aproximar de Deus é através do orgulho de um Lucifer decaído, através de carros e cavalos do Faraó, através de Bezerros de Ouro, através de infernais motores de combustão, através de nos tornarmos centauros de 'gratificação imediata'. Os antropólogos dizem-nos que o cérebro humano e a mão se desenvolveram um na sequência do outro.
A co-ordenação da mão, olhos e mente, foram utilizados, de forma semelhante, pelas mulheres em tempos recuados, nas culturas de caça/agrárias, para escolher as sementes e dar início à agricultura, a base da nossa civilização. As mulheres eram quem nutria, quem vestia; paladares e bordados eram a sua forma de tornar as suas actividades ainda mais queridas e louvadas. Em 1960, lembro-me das pastoras em Itália, mães e filhas em conjunto, com suas poucas cabras e carneiros, fiando a lã que retiravam deles, ao mesmo tempo que andavam com eles e tricotando essa mesma lã em grossas meias para os homens da família e para elas. Lembro-me que franziam as roupas com delicados bordados. Lavei a roupa dos meus filhos com estas mulheres, no poço da aldeia, copiei-lhes os desenhos de franzido para a roupa dos meus filhos, e lembro-me do orgulho delas, da sua dignidade, da sua beleza e da brancura da roupa lavada apenas na pedra da água fria e passada até sair todo o sabão. Os seus longos, fortes, cabelos pretos, depois brancos, eram então entrançados em coroas reais, tal como se fazia há centenas de anos, de mãe para filha, para mãe, para filha. Ceifavam o seu próprio trigo em grupo,  com foices, levando-o ao moinho, vindimavam a uva, colhiam a azeitona, subiam às árvores a apanhar a cereja, levavam amorosamente os filhos nos braços. E as crianças, sem brinquedos, cantavam e dançavam jogos encantadores de cor, cheios de alegria. As mães trajavam o padre da aldeia de lindas vestes e Nossa Senhora com o Menino, coroavam-na de preciosas pérolas.

Actualmente, esta mulheres vêem televisão, guiam carros metálicos, compram roupa de pronto-a-vestir, pintam o cabelo, agora curto, de louro ou de um tom avermelhado e ele torna-se quebradiço, falho, por causa dos químicos que usam, tornam-se obesas, feias, infelizes. Ficam tensas. Ficam deprimidas. Perderam a sua identidade. Procuram ser universalmente, uniformemente o que vêem nas séries americanas 'Dallas', 'Dinasty', na televisão. Compram árduos 'moinhos de pedalar', em metal ou plástico, para queimarem gorduras indesejáveis. Aterradas com o honesto suor do verdadeiro trabalho, banham-se com desodorizantes químicos. Compram comida para animais de estimação, pescada e enviada dos quatro cantos da terra, destruindo o futuro das reservas mundiais de alimentação para os humanos. Os seus animais de estimação são de igual modo bem tratados e com grandes gastos, como elas. Enterram-nos em cemitérios especiais para animais de estimação, na esperança que os seus 'entes queridos' se juntem a elas no céu. Os animais de estimação acabam por simbolizar o seu próprio corpo, uma projecção de si mesmas.

O pano costumava ser tecido, bordado, impresso com animais e flores, e as suas cores magníficas, com formas e curvas da natureza na sua variedade infinita; agora é parecido com a maquinaria metálica, agora ficamos parecidos com frias máquinas sem vida, em cores sólidas, pretas, monótonas, com fechos de correr e botões metálicos, em uniformes universalizantes e militarizantes. Dantes, os bebés eram alimentados apenas com leite materno e com o que existia à mão. Agora, evita-se ter filhos. Se eles surgem, são alimentados em vasilhas de plástico com leite de vaca. Pega-se-lhes ao colo o menos possível, usam-se cadeiras para bebés, estão separados dos braços dos pais. Não mais ninguém borda. As mãos ficaram sem fazer nada. E, de igual modo, a mente. 'A função faz o órgão'. Sentam-se em frente à televisão em caixas quadradas. Aborrecidas, de corpo e alma esperando simplesmente a morte. Pela doença das vacas loucas, pela SIDA, pelo Alzheimer. Tornaram-se falhas de sentido. É tempo da Logoterapia de Viktor Frankl, do bordado das Tapeçarias de Bayeux, da escrita de Aurora Leighs. Porque podemos escrever, compor à máquina, imprimir, coser e encadernar os nossos livros; fiar, tingir, tecer, bordar os nossos tapetes; cuidar e pegar, e brincar com os nossos bebés.

As bibliotecas deitaram fora prateleiras e cadeiras de madeira, substituindo-as por metal e plástico, perdeu-se o ofício humano/natural. Do mesmo modo, pinturas e esculturas desapareceram das igrejas abertas, cheias da luz de velas e de oração, para dentro de museus estéreis e comerciais. Perdeu-se o sentido, tudo se torna 'livre de valor' - sem valor.  Os sacerdotes usam vestes feias, cosidas à máquina, feitas no Terceiro Mundo. Os animais dos bordados, habitam agora os violentos desenhos animados no ecrã da televisão, aparentemente, de forma mecânica parecem ter 'vida' para estropiar e assassinar, tornam-se Centauros violando os Lapitos, em vez de serem simetricamente controlados através da nossa própria arte, passada de geração em geração. Freud disse-nos em Civilization and Its Discontents para lançar fora a nossa civilização, para dar livre transito à pornografia. E assim, a nossa civilização se torna uma forma de brutalizar e mecanizar, especialmente para os mais novos, os bebés, em nome do consumismo global.

Dizem-nos que esta 'brutalização' e 'mecanização' é feita para o indivíduo, em ordem ao eclodir do seu próprio 'eu'. Mas este 'eu' parece não ser mais que uma clonagem do ecrã mágico, não tem qualquer espécie de identidade, nenhum sentido de valor, é idêntico a milhões de outras clonagens do mesmo tipo, em nada contribui para este mundo, apenas consome, falta-lhe a verdadeira personalidade por ser apenas uma falsa personalidade, imposta, escravizada por outros. Esta sombra de 'eu' consome o globo, não produz; estraga, não cria; é prejudicial, especialmente para si mesmo, não cura. Actualmente, os turistas Japoneses em Florença têm cabelo louro pintado, tanto homens como mulheres. 'Vou às compras, logo existo' tornou-se universal. De igual modo, o peso da escravatura do 'English Only'. A 'Cultura de Aeroporto', sem qualquer espécie de identidade. Exceptuando os invisíveis homens, mulheres e crianças de cabelo escuro que fazem os nossos adornos, as nossas televisões, os nossos computadores, os nossos carros, o nosso vestuário aparentemente feito à máquina, as nossas máquinas aparentemente feitas à máquina, encerrados na pobreza, em infinitas línguas, em infinitas artes, a preços sempre cada vez mais baixos, sucata que em breve é para deitar fora, à medida que nos mecanizamos, depreciamos a humanidade e a própia vida.

Vivo num cemitério, uma ilha no meio do tráfico duma artéria desta cidade e, jovens estudantes vem aqui restaurar os túmulos, memoriais do passado; depois choram quando voltam, ao verem que os produtos químicos dos carros destruíram o seu trabalho de muitos dias de restauro dos estragos de muitos anos passados, numa questão de alguns meses. Lavo o chão de mármore que aqui está duas vezes por semana e a água fica sempre negra da poluição. Esta destruição está em aceleração, é sem limites. Estamos a destruir a terra, a saúde, em favor do poder, da velocidade, da sucata, da morte. Escolham. Químicos, maquinaria, pelo dinheiro. Ou Natureza e trabalho manual, feitos por e com amor.

Uma vez, um aluno meu escreveu uma parábola, uma fábula.  Uma grande e branca Tsunami, uma onda de maré estava quase a destruir a cultura duma ilha de corais. Então, todas as mulheres foram para a praia levando fusos, rocas, teares, agulhas e, todas juntas, teceram uma grande tapeçaria, que espelhava ao mar a água, a vida, todas as suas cores, os azuis celestes, os azuis marinhos, todos os peixes, todos os corais, todo o musgo do seu leito profundo. E o mar viu o mar. E parou.

E porque não começar por trazer de volta a nossa Mãe Igreja? Eamonn Duffy em The Stripping of the Altars, publicado por Yale University Press, descreveu como a Igreja medieval era vibrante, como era magnífica a participação dos leigos, das mulheres, com as suas ofertas de vestes e toalhas de altar bordados, com as suas encomendas de quadros da Virgem com o Menino, com santas no meio dos homens. (Quando a A.I.D. Americana introduziu a alimentação por biberão em Espanha, imagens de Nossa Senhora com o Menino foram tapadas porque consideradas obscenas.) Na Idade Média, incontáveis eram as lendas de Maria fiando, tecendo, cosendo, bordando: em criança no Templo, no exílio no Egipto. Lucas, nos Actos, narra-nos a ressurreição de Dorcas, mas antes disso fala-nos das mulheres mostrando a Paulo as vestes que ela coseu. Até o próprio Paulo foi um homem de agulha, fazendo tendas. No Hebraico e no Grego, Deus 'acampa' entre nós, em nós. Aqueles que escreveram com a agulha tinham um poder igual aos que cosiam com a caneta. As mulheres Índias da planície faziam e possuíam as suas próprias tendas,  a que os soldados Americanos deitaram fogo e queimaram num genocídio e assim morreram as famílias, de hipertermia. Naquele tempo, literalmente, as mulheres tinham 'poder'. E foram elas que o ganharam. E tendo ganho essa dignidade, eram seres inteiros, não mutilados, estavam totalmente vivas, não apenas esperando a morte, adormecidas por químicos numa aborrecida estagnação. Embora mortas há muito, paradoxalmente, ainda vivem naquilo que nos deixaram, ao recordarem-nos Deus, o Espírito, 'acampado em tendas' em nós. A própria capa remendada de Brígida, com a forma duma tenda, sobrevive; nela coseu os remendos de pano dos seus companheiros pedintes, cá fora, em San Lorenzo in Panisperna, em Roma. Numa tenda  de Índio, vemos todo o Cosmos por cima de nós, ficamos 'um só' com ele, e a tenda respira como se estivesse viva. O meu filho do meio, chamou à sua tenda 'Força Meiga'.

Santa Clara fiou, teceu, costurou e bordou corporais para todas as igrejas em redor de Assis. Aqui, na Biblioteca Fioretta Mazzei, fazemos corporais com bainha aberta e a cruz no centro bordada a ponto de pé de flor, branco no branco, em linho, para servirem em todo o mundo, na Austrália, em Portugal, aonde quer que os nossos convidados desejem levá-los. Eles são a nossa participação nos altares da Igreja, na Eucaristia. No Quénia, são feitos para nós os mais lindos rosários, por Alice Waithera e também os oferecemos, contando aos outros quem ela é. Também fazemos casulas para sacerdotes, especialmente cruzes a fio de ouro entrelaçadas, sobre verde em honra da Santíssima Trindade (N.T: o verde éuma cor litúrgica) e do St. Patrick's Lorica, (N.T.: 'Peitoral de S. Patrício' - oração usada como peitoral, que se reza antes de todas as outras, invocando a protecção de Deus, provavelmente composta por S. Patrício, padroeiro da Irlanda, ), retirando o desenho de uma pia baptismal, no Sussex.

Porque, as esculturas dos homens podem ser copiadas na costura pelas mulheres e vice-versa. Pude ver barros vidrados medievais, com desenhos pintados à mão, encontrados aqui no  'Cemitério Inglês'

copiados e bordados nas casulas de diáconos, como se vêem na pintura dos Mestres Florentinos de Santos Estêvão, Lourenço e Francisco, que humildemente todos permaneceram apenas diáconos, nunca procurando a ordenação sacerdotal. Foi assim que, também, a escrita veio dos Semitas para os Gregos, os Romanos e nós mesmos e que, entre os Romanos, pertencia tanto às mulheres como aos homens. Podemos partilhar este mundo do passado, os seus códigos, através do 'ofício da web', com o mundo do futuro. Podemos partilhar uma generosidade de culturas, de línguas, de sexos, numa oferta de presentes, pelo nascimento duma Criança, numa festa de casamento, numa celebração de um funeral. A tecelagem e o bordado eram uma cultura de mulheres, uma alfabetização das mulheres, uma revelação do amor das mulheres, numa interacção próxima dos homens, das crianças, delas próprias. Necessitamos de re-aprender a ler estes épicos, as fábulas de animais, estes enigmas de sabedoria, estes Evangelhos perdidos. E voltar a coser o mundo com beleza.

Achamos que este trabalho é uma cura do corpo, mente e alma. Na verdade, quando o síndroma do túnel cárpico ataca, achamos melhor mudar duma forma de coordenação do corpo/mão, para outra, esfregar chão de mármore, fazer jardinagem e, então, voltar, curados, ao trabalho mais delicado de mãos, olhos, mente, de escrever html, de fazer bainha aberta, num ritmo e num equilíbrio de que o nosso corpo necessita e prefere à estagnação. Nada de 'moinhos de pedalar'! Assim fizeram Cristo e os seus discípulos, pregando, carpinteirando, pescando e costurando tendas. Podemos restaurar esta presença de Cristo através do trabalho das mãos, do corpo, nas nossas casas, nos nossos eremitérios. O sentido mais autêntico de 'economia' é o amor, que começa em casa. Em Hebraico ama-se Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa força e o próximo como a nós mesmos. Em Hebraico pensa-se com o coração. Maria, no Evangelho de Lucas, por três vezes pensa em todas aquelas coisas no seu coração. O Senhor do Amor.

Platão, no Symposium, fala-nos dos antigos vasos de farmácia com velhas senhoras a rir, esculpidas na parte exterior, mas lá dentro está o que cura.

Della Robbia mostra-nos duas mulheres grávidas com poucas probabilidades de estarem. Uma não casada, uma Virgem, uma mulher do povo; a outra, envelhecida e estéril, uma rica e afortunada filha de um sacerdote e mulher de um sacerdote, também. Elas saúdam-se mutuamente, exultantes, as mães de Cristo e de João Baptista; Maria e Isabel, contendo nos seus corpos a Verdade, a Metanoia.

O salmão da sabedoria está saltando a contra corrente, contra a gravidade, contra a probabilidade. Os Irlandeses dizem que o 'salmão da sabedoria' é o Messias, é Cristo. Nos tempos da perseguição, os primeiros Cristãos utilizaram as iniciais gregas da palavra 'Cristo' que significa 'Peixe'. O próprio Cristo e os discípulos pescaram no Mar da Galileia. Eu comi lá o Peixe de S. Pedro com limões frescos. E, em Tabgha, no Mar da Galileia, vi chãos de mosaico com pães, peixes e pavões, repetidos em Murano; então, bordei-os também, para as Irmãs do meu convento, após cinquenta anos de elas me terem ensinado pela primeira vez a costurar, a fazer bainha aberta, a bordar.


 

Dentro de nós, transmitidos por gerações de cultura, existem códigos maravilhosos de sabedoria, de vida. Estamos actualmente a romper esse código, essa grande rede de pesca, rasgando-lhe os nós, pela cobiça, pela luxúria, em favor da 'gratificação imediata'.  Joseph Conrad descreveu o 'Íntimo da Escuridão' da escravatura escondida do Terceiro Mundo, narrando aquele conto das margens poluentes do Tamisa, sobre o poluente Congo, poluindo-nos a todos. O conto foi repetido no filme 'Apocalypse Now' acerca dos deltas do Ohio e do Mekong, acerca da guerra do Vietname. O Cartão de Natal da NASA mostra as 'luzes da terra', as zonas escuras da pobreza, as iluminadas, América, Europa, Japão, a mais iluminada sendo a América, esbanjando as riquezas de Deus para nosso proveito, queimando instantaneamente, infernalmente, os recursos não renováveis do globo.

Tornamo-nos centauros com os nossos carros, inviáveis bestas/homens, de poder, de egoísmo. Lamentamos o desaparecimento de cada espécie quando ela se extingue. Mas somos os mesmos que abusamos e quebramos a nossa cadeia alimentar, a cadeia da vida, ocasionando terríveis doenças, causadas pelo uso indevido do poder, dos químicos, dos animais, dos seres humanos, pelo abuso da natureza, da criação, do nosso Criador.

O Tamisa já foi limpo da poluição, dos químicos e, sendo improvável, o salmão voltou.


 
 


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Julian of Norwich, Showing of Love, translation in paperback (ISBN: 0-8146-5169-0), xxxiv+ 133 pp, three colour printing, 2003. Order, in America, The Liturgical Press, St John's Abbey, $19.95; in England, etc., Darton, Longman and Todd, available at bookshops, £9.95.

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Julian of Norwich, Showing of Love , definitive edition and translation, Firenze: SISMEL, 2001, available from SISMEL or from Julia Bolton Holloway.

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Julian of Norwich, Showing of Love, Westminster Text, translated into Modern English, set in William Morris typefont, hand bound with marbled paper end papers within vellum covers, in limited, signed edition. A similar version available in Italian translation. Can be accompanied by CD of a reading of the text. To order, click here.

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Saint Bride and Her Book: Birgitta of Sweden's Revelations. Translated from Latin and Middle English with Introduction, Notes and Interpretative Essay . Library of Medieval Women. Series Editor, Jane Chance. Boydell and Brewer , 2000. Revised, republished, third edition. xvi + 151 pp. ISBN 0-85991-589-1

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The Pilgrim and the Book: A Study of Dante, Langland and Chaucer (ISBN0-8204-2090-5); illustrated, indexed, third edition, available from Julia Bolton Holloway, Julia Bolton Holloway. $25, 25 euro.

Twice-Told Tales: Brunetto Latino and Dante Alighieri (ISBN 0-8204-1954-0), illustrated, indexed, available from Julia Bolton Holloway, Julia Bolton Holloway. $25, 25 euro.


 

Julian Library CD, 1996/2003, available for general readers, contemplatives, scholars, and libraries for off-line reading, computer browsing (includes Umilta Website);

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FIRENZE/ FLORENCE
 
 


 
 

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© Julia Bolton Holloway , Biblioteca e Bottega Fioretta Mazzei, 2004.
 

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